22/08/2017 às 00h23min - Atualizada em 22/08/2017 às 00h23min

Nova secretária de Assistência Social é mais do mesmo?

Alexânia já foi tarde, Cristina assumiu. Qual a razão da escolha de uma funcionária vinda de Bragança? Não há ninguém competente no município para assumir a vaga? O que muda?

Kleysykennyson Carneiro e Ricardo Mesquita - Jornal In Foco
Jeová Andrade segurou Alexânia Morais no cargo até onde conseguiu, mas o castelo da secretária desmoronou na última sexta-feira quando o gestor a exonerou. Alexânia foi acusada de, entre outras coisas, estar ameaçando e perseguindo funcionários. Estes se sentiam coagidos, pois quando reivindicavam melhorias nos serviços, eram logo remanejados de lugar. Após sua entrada na pasta, Alexânia fez uma verdadeira reviravolta nas equipes, afastando profissionais experientes que hoje estão na “geladeira”, sendo subaproveitados, justamente por não compactuarem com seu modelo de gestão. O reinado da antiga gestora foi por água abaixo, mas a nossa esperança em dias melhores parece estar tomando o mesmo caminho, pois Neuvamaria Cristina Ferreira Costa é a bola da vez e parece ser só mais do mesmo.
 
Cristina é funcionária pública concursada do município de Bragança, oeste do estado. Naquela cidade, Cristina ocupava o cargo de Assistente Administrativo e ficava lotada na Secretaria de Educação. Na busca por históricos de pagamento, descobriu-se que a funcionária recebeu salário até o mês de julho da prefeitura daquela localidade. Vale lembrar também que Cristina foi notificada pelo tribunal de contas do estado do Pará por conta de uma má gestão fiscal sobre o Fundo de Assistência Social de Bragança, de acordo com o documento, ela é acusada de omitir remessa, em meio eletrônico, do período relativo ao segundo quadrimestre (maio, junho, julho e agosto) de 2016. Como Cristina veio parar em Canaã dos Carajás?


Notificação recebida por Cristina
 
A resposta para essa pergunta pode estar ligada à política. Neuvamaria Cristina é filiada ao Partido Social Cristão do Pará desde 2015 e é parente do senhor Estanisley, pré-candidato a deputado estadual em Canaã dos Carajás e pastor da igreja Assembleia de Deus Missão, que tem como membros vários funcionários contratados após a posse de Alexânia. A nova secretária assumirá a pasta, mas não possui sequer título de eleitor da cidade. Teria ela formação técnica ou experiência na área? A certeza é que ela está acostumada com uma realidade bem diferente da nossa e isso pode comprometer sua atuação, visto que, muitas decisões deverão ser tomadas com urgência, graças ao caos deixado por Alexânia.
 
Pelo que observamos, não existe a preocupação em se fazer uma gestão conforme preconiza o Sistema Único de Assistência Social (SUAS, pois o que vimos no decorrer desses meses foi o total desmonte desta tão importante política pública, que, diga-se de passagem, não possui o objetivo de troca de favores e caridade e sim a garantia de direitos a população que dela necessita. E que para isso ocorra faz-se necessário investimentos pontuais e responsáveis.
 
Não é novidade para ninguém que a pasta se encontra na UTI, respirando por aparelhos, há um bom tempo. Após a desastrosa gestão de Alexânia, o que se esperava era que um funcionário apolítico, com capacidade técnica apurada e conhecimento de causa sobre os nossos gargalos sociais locais, assumisse a pasta. É estranho que uma secretaria, que conta com mais de 20 técnicos de possuem nível superior, experiência e capacitação para o cargo, não tenha optado por soluções caseiras. É de se ressaltar também que o próprio poder público foi responsável por pagar a qualificação destes servidores.
 
Que tipo de negociata política ajudou Cristina em sua escalada ao poder? Só podemos imaginar quais acordos foram feitos. Mas a pergunta inevitável paira no ar: Quem manda, de fato, na Secretaria de Desenvolvimento Social?
 
Em debate com algumas pessoas que conhecem a máquina pública, pois estão na linha de frente nos atendimentos e sentem na pele o que é trabalhar em um órgão com tamanha “ferida aberta”, o verdadeiro sentimento do “servidor público” falou mais alto e assim ele diz: “O país está se acabando com essa desconstrução dos direitos sociais e das políticas públicas, simplesmente porque não aprendemos a lutar coletivamente.” Justificando sua incredulidade em mudanças efetivas, o mesmo servidor diz: “Enquanto não houver mudança de atitudes e o interesse político partidário se sobrepor aos interesses técnicos, as falcatruas e privilégios irão continuar. Não adianta tirar sicrana e colocar fulana.”
 
Pelo visto, o prefeito Jeová Andrade optou por ficar na mesmice, em tempos de crise no governo, é inevitável não se perguntar: Quem é o poderoso chefão por trás de todas as esdrúxulas decisões do executivo canaense? Seria o atual gestor apenas autômato para planos maiores de poder? Isso só o tempo nos responderá.
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