22/05/2017 às 03h33min - Atualizada em 22/05/2017 às 03h33min

A roupa sem gênero é o assunto do momento

A desconstrução da identidade de gênero na moda

Karla Rocha e Aurélio Duvivier - Jornal In Foco
Reprodução Google
Já pensou em sair de casa e dar de cara com um homem vestindo uma saia? Parece estranho, mas essa tendência tem tomado conta do guarda roupas de homens em todo mundo, inclusive no Brasil. É a chamada moda “agênero ou sem gênero”, que é uma tendência estética de um vestir não designado a homens ou mulheres, e sim à expressão de gêneros diferentes em uma mesma pessoa. Vale lembrar também que a roupa já foi igual para homens e mulheres. No Egito, Grécia, Roma e outros povos da antiguidade clássica e oriental, ambos compartilhavam “vestidos” e “saias”. E, até hoje, podemos ver tal costume entre os povos do oriente, como acontece com o kurta árabe (uma espécie de túnica) ou o kilt irlandês (um modelo de saia).
     O estilista Cristiano Moura (25), à frente da marca Cris Moura, criada em 2014 e dedicada há um ano a privilegiar modelagens sem gênero definido, ele vê a tendência da androginia nas passarelas como reflexo de revolução comportamental, demanda da sociedade e quebra de paradigmas, “eu vejo a moda como a forma de expressão e essas questões de gênero, eu acredito que é uma coisa imposta pela sociedade tradicional, no fundo é um pouco de machismo” destacou. Moura ainda completou “A moda sem gênero é livre de padrões não vejo como tendência, mas sim como estilo e filosofia de vida”.
      A indústria da moda já entendeu que ouvir comunidades e suas necessidades específicas garante não só um público fiel, como uma fatia valiosa de mercado. Várias marcas de moda já lançaram produtos sem gênero. A Melissa, famosa por seus calçados fofos e cheirando a morango, recentemente disponibilizou em seu mix de produtos o Flox Unissex. Com o tema “Tudo Lindo & Misturado” a C&A sutilmente introduz o assunto no mercado nacional de massa, mas vai pelo viés de uma moda mais democrática e valorização da liberdade de escolhas, afinal, não existe uma linha de produtos sem gênero, mas as experimentações comerciais começam a surgir.
  • Moda Infantil sem gênero
    Após a designer Tiffe Fermaint se frustrar ao entrar nas lojas de roupas para crianças e só encontrar roupas cor-de-rosa e estampas de princesas designado para meninas, ela decidiu combater os estereótipos usando seu conhecimento em design e moda para criar em parceria com seu marido, Keith Walker, a marca Baby Teith, que tem como objetivo criar roupas infantis que não possuem marcação de gênero. “Nós genuinamente acreditamos que hoje em dia, os estereótipos já eram. Nós queremos que a nossa filha forme sua própria opinião sobre as coisas e sinta que ela pode se vestir como quiser”, afirmou Teith em entrevista ao Huffington post. 
     O gênero refere-se à identidade com a qual uma pessoa se identifica ou se autodetermina, independente do sexo e está mais relacionado ao papel que o indivíduo tem na sociedade e como ele se reconhece. De acordo com Liniker, vocalista da banda Liniker e os Caramelows, uma peça de roupa não designa o caráter de alguém, é apenas um meio de comunicação e uma construção leal da sua própria personalidade; “eu decidi mesmo querer desconstruir e acabar com todos os preconceitos e rotulações que eu tinha e ser esse corpo livre”, finalizou o cantor.
     Em síntese, as roupas agênero não representam uma revolução no mundo fashion, mas é novidade nas ruas, na cultura de massa. Parece que agora, a democratização, de fato ganhou forma, cores e tons no corpo e na mente das pessoas. E o uso dessas peças não tem relação com condição sexual, qualquer um pode aderir a ela, afinal, é uma moda para seres humanos.
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