19/05/2017 às 07h44min - Atualizada em 19/05/2017 às 07h44min

União em meio a crise

O sonho de se casar ainda existe, mas é cada vez mais difícil a união entre duas pessoas em meio as dificuldades financeiras em momentos de crise

Karla Rocha e Daniele Menezes - Jornal In Foco
Reprodução
A maioria das mulheres sonha desde muito nova com o casamento, vestir aquele tão sonhado vestido e casar-se com o homem dos sonhos. Realizar esse sonho tornou-se uma missão quase impossível, principalmente quando lembramos que a taxa de desemprego no Brasil chegou a 13,7% no primeiro trimestre de 2017 segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O coração bate ainda mais forte no mês de maio, não só por ser considerado “mês das noivas” mas também pelo aumento dos custos dos artigos de festa. Para quem resolveu casar ainda neste ano, a melhor opção é pesquisar e a internet tornou-se uma grande aliada, com grupos em redes sociais, aplicativos e sites onde é possível encontrar inúmeros fornecedores.

Foi o caso de Larissa Santos, 20 anos que está com a cerimônia marcada para Julho de 2017 e com orçamento apertado. "Todo mundo falava que casar custava caro, contudo eu não sabia o quanto, os grupos de noivas, foram de grande ajuda, fechei grande parte dos meus contratos com rodadas de promoções anunciadas nesses grupos ", comentou.

Outra opção para quem realmente está com cada centavo contado são sites com dicas DIY, onde as noivas contam como fizeram seus casamentos, fornecem várias dicas de como fazer lembrancinhas, enfeites de mesas, artes para os convites, entre outros, dessa maneira elas ultrapassam a crise econômica e participam diretamente da construção do seu grande dia.
  • As finanças podem prejudicar o casamento?
Sim, as finanças podem destruir um relacionamento. Seja por conta das dívidas, excesso de gastos, falta de dinheiro ou omissão. Casais com dívidas passam menos tempo juntos, brigam mais e são menos felizes. As brigas por causa de dinheiro sempre acabam afetando outras áreas do relacionamento. Além disso, causam problemas de saúde como insônia, dores de cabeça, estômago, ataques cardíacos e depressão.

O assunto “dinheiro” tem um impacto muito mais importante no êxito ou não de um casamento do que gostamos de admitir. Planejamento financeiro não é exatamente um assunto romântico, especialmente no início de uma relação, mas não discutir sobre dinheiro com o atual ou futuro cônjuge é uma atitude de alto risco. Alguns psicólogos especializados e advogados asseguram que muitos casamentos que fracassaram, por motivos que nada têm a ver com dinheiro, como infidelidade conjugal, violência doméstica ou “incompatibilidade de gênios”, se investigados a fundo, acabam revelando que em algum momento houve um stress financeiro que deu origem ou potencializou a causa “oficial” da ruptura.
 
A seguir, serão pontuados quatro itens que, se forem corretamente observados, aumentam muito a chance de sucesso no casamento.
 
I. Compatibilidade financeira
 
Cada pessoa tem uma atitude diferente com relação ao dinheiro. Valores pessoais e culturais, crenças e afins, definem a forma como tratamos o dinheiro e os demais recursos. Existem pessoas que torram todo o dinheiro que têm e estão muito bem com isso.

Tem também aquele sujeito que beira a paranoia. Economiza cada centavo, anota cada gasto, faz questão de rachar a conta do boteco nos mínimos detalhes e acaba vivendo de uma forma muito aquém de suas possibilidades. As pessoas costumam chamá-lo de mesquinho.

Obviamente coloquei dois perfis opostos e bastante exagerados. A maioria das pessoas está em algum lugar entre esses dois, mas juntar duas pessoas que estão próximas às extremidades opostas é praticamente uma garantia de fracasso da relação no futuro.

II. Planos para o futuro

Um parceiro é ambicioso, está investindo na carreira profissional e sonha com um alto padrão de vida. Quer conhecer o mundo, talvez morar um tempo no exterior e não pensa em fincar raízes tão cedo. Já o outro cônjuge é mais tranquilo, quer uma vida pacata, ter filhos cedo e, de preferência, viver sem muita “emoção”. Sonha com uma vida mais caseira e não está tão preocupado em chegar “ao topo”.

Assim como no caso anterior, uma grande divergência de expectativas é um enorme fator de risco para o êxito do casamento.
 
III. Juntar ou não juntar?


Vendo as coisas pelo ponto de vista estritamente financeiro, juntar tudo é a coisa certa a se fazer. É a forma de obter a máxima “eficiência do capital”. Inclusive, se pode levar essa busca pela eficiência ainda mais longe, fazendo com que um dos cônjuges concentre toda obtenção de renda da família, enquanto o outro pode acabar se dedicando apenas à própria administração do lar.

Mas em caso de fracasso da relação, a divisão do patrimônio único pode ser extremamente complexa e, nos casos onde um dos cônjuges deixar de trabalhar, este pode acabar numa situação de total dependência e poderá enfrentar grandes dificuldades para voltar a ter uma renda própria.

Não há uma resposta simples para esse dilema de “juntar as contas ou não”, mas é interessante que haja ao menos uma conversa sobre como seriam as coisas na eventualidade de um fracasso (por mais desagradável que seja falar disso) para ver como os futuros cônjuges reagem.

IV. Comunicação

A chamada “infidelidade financeira”, que é quando um cônjuge oculta do outras questões financeiras importantes, é hoje uma item “quente” no universo das finanças pessoais. Sei que não é nada romântico falar desse jeito, mas casamento é, antes de tudo, um “negócio” e, como em qualquer negócio, é de fundamental importância que os “sócios” joguem limpo uns com os outros.
 
Por isso é recomendável que os casais adotem a prática de fazer uma reunião financeira mensal ou uma planilha de acompanhamento. Define-se uma data e horário no mês para falar apenas e exclusivamente de dinheiro, analisando em conjunto aquilo que está entrando e como o dinheiro está sendo utilizado. É preciso que haja disciplina, compromisso e seriedade para não permitir que assuntos não financeiros interfiram nessa conversa.

Pode até ser que um dos cônjuges tenha um conhecimento de finanças maior que o outro e que acabe, naturalmente, adotando uma postura um pouco mais “dominante” e persuasiva nessa conversa, propondo novas e diferentes formas de gastar e investir o dinheiro, mas a decisão final, para o bem da relação, deve ser conjunta.
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