19/03/2020 às 14h06min - Atualizada em 19/03/2020 às 14h06min

​Pedido de socorro dos estados de R$ 15 bilhões chega em momento de relação estremecida com Bolsonaro

Presidente chegou a questionar as ações tomadas pelos estados no combate ao novo coronavírus, afirmando que podem afetar a economia e seu governo.

- Jornal In Foco
G1
O pedido de socorro das secretarias de Fazenda dos estados de R$ 15,66 bilhões ao governo federal chega num momento de relações estremecidas da maioria dos governadores com o presidente Jair Bolsonaro.
 
O presidente chegou a questionar ações tomadas pelos estados, como as de restrição de circulação das pessoas, afirmando que elas poderiam afetar a economia e, portanto, o seu governo. Ele sugeriu que as medidas tinham componente político.
 
Os governadores rebatem e afirmam que as decisões têm amparo técnico e estão em consonância com as medidas de segurança epidemiológica que vem sendo adotadas por diferentes países.
 
O aporte do governo federal de R$ 15,6 bilhões mensais foi solicitado pelas secretarias estaduais pelos próximos três meses como forma de socorro na área da saúde devido ao novo coronavírus e para enfrentar as repercussões econômicas do vírus no país.
 
Estados preveem queda de 20% na arrecadação

Os estados preveem uma queda de 20% em arrecadação em função da Covid-19, por meio da queda nas receitas com ICMS, royalties, participações especiais e Fundo de Participação estadual.
 
O valor do aporte foi fechado na noite desta quarta-feira (18) em reunião do Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal). No encontro, foram elaborados dois ofícios que serão enviados nesta quinta ao ministro da Economia, Paulo Guedes.
 
São demandados R$ 14 bilhões por mês, sem prazo definido, para mitigar a queda de receita e outros R$ 5 bilhões, durante três meses, para a saúde, totalizando os R$ 15,6 bilhões.
 
“Esse montante é o valor inicialmente solicitado pelos Estados, que se refere ao segundo item de sugestões da Carta do dia 16 de março, sob a designação de ‘liberação de emergência de recursos livres para reforço da capacidade financeira dos estados’, e deve ser considerado pela União na sua avaliação de soluções fiscais que viabilizem a travessia da crise”, diz o ofício enviado ao ministro Paulo Guedes, fazendo uma referência à Carta elaborada pelos Estados no começo da semana.
 
Na última segunda-feira, o Comsefaz divulgou o documento solicitando medidas urgentes por parte do governo federal para lidar com a pandemia.
 
Entre as medidas, os governadores pedem:
 
suspensão por 12 meses dos pagamentos de amortização e juros de dívidas com União e bancos públicos;

aprovação imediata das medidas contidas no Plano Mansueto;

plano de ajuda para recuperar as finanças dos estados;

linhas de crédito do BNDES para o custeio da saúde;

investimentos e abertura de linha de crédito subsidiada pelos bancos públicos para o pagamento de precatórios.

O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) afirma que a suspensão dos pagamentos de amortização e juros devidos à União e a bancos públicos “poderá importar no reforço de caixa da ordem de R$ 3 bilhões por competência mensal”.

 
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