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08/07/2024 às 11h55min - Atualizada em 08/07/2024 às 11h55min

Canaã bate Parauapebas em exportações pelo 5º mês consecutivo

Pela primeira vez desde 2008, Parauapebas deixou o “Top 5” de maiores exportadores do Brasil em um primeiro semestre. Há exatos dez anos, em 2014, município alcançou apogeu, desbancando São Paulo e Rio de Janeiro como município campeão de exportações no país. Era de ouro — e do ferro — acabou.

Zé Dudu
De agora para frente, Parauapebas vai ter de engolir o reinado de Canaã dos Carajás no cenário da indústria extrativa mineral e, por tabela, das exportações. A Terra Prometida já é a líder paraense na balança comercial e, em junho, bateu a Capital do Minério tanto em produção e exportação de minério de ferro quanto em exportações gerais. E pelo quinto mês consecutivo.
As informações foram levantadas com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu, que analisou os microdados da balança comercial brasileira por município liberados na noite de ontem (4) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Em 2024, pela primeira vez em 18 anos, Parauapebas deixou de ser um dos cinco municípios que mais exportam commodities em um primeiro semestre.
Os dados das exportações são muito importantes para a compreensão dos rumos econômicos e financeiros de Parauapebas, especialmente porque é devido à extração e às exportações de minério de ferro que o município lucra com a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), popularmente conhecida como royalty de mineração nos bastidores das prefeituras. Sem extração de recursos minerais não há royalties a distribuir para prefeitos gastarem à vontade, com poucas vedações.
Inclusive, com a produção mineral processada junto ao Ministério do Desenvolvimento, é possível inferir que a cota-parte da Cfem a ser recebida pela Prefeitura de Parauapebas em agosto será em torno de R$ 45 milhões, valor muito baixo em relação a outrora. Na conta da Prefeitura de Canaã devem desembarcar cerca de R$ 60 milhões mês que vem.
O que a balança revela
Em junho, Parauapebas exportou 471,61 milhões de dólares, ao passo que Canaã dos Carajás transacionou 605,39 milhões de dólares. Não foi o pior junho da série histórica da Capital do Minério, mas os demais municípios apresentaram performance bem melhor. Em uma década, Parauapebas passou de campeão nacional das exportações no primeiro semestre, registro que alcançou com louvor em 2014, para o sétimo lugar no mesmo período deste ano.
As razões da estagnação estão intimamente ligadas à produção de minério de ferro da mineradora multinacional Vale, que passou a priorizar produção em Canaã dos Carajás. De forma velada, a produção de Parauapebas passou a ter como rival a da Terra Prometida, com este município levando a melhor por contar com uma mina mais nova, mais moderna, de menor custo-benefício e expectativa de expansão da capacidade nominal maior.
Além disso, a maior parte do minério medido, provado e provável que a Vale já mapeou no complexo minerador de Carajás está dentro dos domínios de Canaã dos Carajás, nos blocos D, C, B e A do complexo S11, situado na Serra Sul. Em Parauapebas, além das minas em exploração na Serra Norte, até que há mais minério em corpos intactos, mas o volume é infinitamente menor que o de Canaã e seria esgotado em dez anos no atual compasso com que a Vale opera na região.
Pior posição desde 2008
É por essas e outras que, no mês passado, Parauapebas exportou 6,04 milhões de toneladas de minério de ferro por 471,33 milhões de dólares, ao passo que Canaã levou a melhor em faturamento, com 541,46 milhões de dólares exportados por 6,97 milhões de toneladas da valiosa commodity. De brinde, Canaã ainda fatura com a extração e exportação de minério de cobre.
No acumulado do primeiro semestre, Canaã dos Carajás fechou o balanço com 3,263 bilhões de dólares exportados, ocupando a quinto colocação nacional, atrás dos municípios do Rio de Janeiro, Duque de Caxias (RJ), Santos (SP) e Paranaguá (PR), a maioria beneficiada por portos e petróleo. Já Parauapebas, que caiu para a sétima colocação, o que não ocorria desde 2008, totalizou 2,801 bilhões de dólares transacionados, tendo à frente todos os municípios citados e São Paulo. Os prognósticos indicam que até o final desta década Parauapebas deixe de ser um dos dez principais exportadores do país e também perca milhões em royalties de mineração, com uma movimentação mineral cada vez mais lenta e em declínio.
Na lista dos 25 maiores exportadores do primeiro semestre deste ano, além de Canaã dos Carajás e Parauapebas, aparecem os municípios de Barcarena (1,433 bilhão de dólares, 18ª colocação), em razão do alumínio, e Marabá (1,168 bilhão de dólares, 23ª colocação), devido à produção de cobre e produtos do agronegócio.
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