10/02/2020 às 09h23min - Atualizada em 10/02/2020 às 09h23min

Legislativo: o fracasso do primeiro ano de gestão de Wilson Leite

Após prometer uma Câmara mais próxima da comunidade, Leite vê cidadãos desinteressados com o legislativo, plenárias vazias e grave risco de metade dos atuais vereadores não se reelegerem

Beatriz Macieira - Jornal In Foco
Uma pergunta direta ao leitor do Jornal In Foco em Canaã dos Carajás e região: você sabe quem é o atual presidente da Câmara Municipal de Canaã dos Carajás? Há quanto tempo ele está no cargo? Neste período, o que o “poderoso” chefe do legislativo conquistou como parlamentar para Canaã dos Carajás?

É provável que você conheça Wilson Leite e que saiba que ele comanda a Câmara Municipal de Canaã dos Carajás há pouco mais de um ano. No entanto, você é, provavelmente, incapaz de dizer quais são as maiores conquistas do parlamentar enquanto presidente da Casa de Leis. Mas não se preocupe, leitor, a culpa não é sua, mas sim de uma gestão completamente apagada.

Em entrevistas concedidas no início de 2019, Leite destacava como principal meta de seu mandato estar mais próximo da comunidade. “O meu principal foco é estar mais perto das pessoas; nós precisamos tomar conhecimento dos problemas na saúde, educação. O nosso intuito é uma Câmara mais presente. Nós precisamos ter um legislativo mais perto do povo” afirmou na ocasião.

Ao longo de todo o ano, a expectativa era de transformação na política municipal, visto que Wilson foi um dos vereadores mais atuantes de Canaã em seus dois primeiros anos como parlamentar. Os meses se passaram e, na prática, o que se viu foi um abismo nascer entre o povo e a Câmara Municipal. Cada vez mais desacreditada e desconhecida da população, a Câmara exibiu plenária vazias, sessões modorrentas e parlamentares cada vez mais distantes dos reais interesses da comunidade.

À frente do poder legislativo, Wilson Leite não é o único responsável pelo descrédito do poder legislativo, obviamente. No entanto, uma Câmara Municipal apagada e distante do povo é o reflexo de uma gestão que fracassou na missão de estar mais próxima da comunidade. Leite ainda t
em 11 meses de mandato, seria esse tempo suficiente para uma aproximação?

Vale lembrar que uma Câmara apagada pode refletir diretamente nas eleições municipais, em outubro. Sem trabalhos relevantes apresentados, qual vereador da atual legislatura seria reeleito hoje?

Dionísio Coutinho, João Batista, João Nunes e Élio do Líder, por exemplo. Os quatro obtiveram as maiores votações nas eleições de 2016. Quatro anos depois, em uma nova conjectura política, algum destes teria fôlego para se reeleger? Você, leitor, é capaz de dizer qual trabalho relevante de algum destes parlamentares nos últimos anos? Provavelmente a sua resposta é não.

A falta de atividade parlamentar por parte dos nomes citados poderia até passar despercebida, caso a Câmara Municipal, como um todo, estivesse mais em evidência. No entanto, isso é o que está longe de se ver.

Com o iminente fracasso da gestão de Wilson Leite, há uma série e grave possibilidade de metade dos atuais vereadores não se reelegerem. Neste caso, a culpa se dividiria entre a sonolência parlamentar da maioria dos eleitos e a fraca atuação de Wilson como presidente até o momento.

No entanto, é possível que as coisas se transformem nos próximos meses. As sessões itinerantes e ações sociais, por exemplo, deixaram de ser feitas. A última foi promovida ainda na gestão de Junior Garra, há mais de dois anos. As ações eram uma forma de levar os vereadores até o povo e foram, simplesmente, esquecidas.

As atividades parlamentares retornaram na última terça-feira (4). O site oficial da Câmara não publicou notícias novas sobre os feitos dos vereadores na data; seria simplesmente o vasto vazio deixado pelos 13 legisladores eleitos para representar Canaã? É possível.

Em todo o caso, o que se espera é uma Câmara mais atuante, mais presente e que traga conquistas concretas para a comunidade. No entanto, diante do sono do presidente e dos demais vereadores, o povo pode também resolver fechar os olhos, dormir, só acordar depois de outubro e não reeleger ninguém da atual legislatura.
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