19/03/2018 às 08h36min - Atualizada em 19/03/2018 às 08h36min

Donos de farmácia em Canaã poderão fechar as portas caso não haja acordo com farmacêuticos

Conselho Regional de Farmácia exige a presença dos farmacêuticos em tempo integral nas farmácias com altos salários. Empresários abrem o jogo e dizem que poderão fechar as portas caso a medida não se abrande

- Jornal In Foco
Foto: Centro de Canaã/Reprodução
O caso é grave. Mais de 20 farmácias em Canaã dos Carajás poderão fechar as portas, caso não haja um acordo com os farmacêuticos que atendem na cidade. Junto ao Conselho Regional de Farmácia (CRF), os profissionais exigem que os donos dos estabelecimentos paguem o valor referente a cinco salários mínimos a cada um dos farmacêuticos. Outra medida que o CRF exigiu dos proprietários é a integralidade. Ou seja, durante todas as horas de funcionamento da farmácia o profissional deve estar presente.
 
Como qualquer estabelecimento do setor funciona de 12 a 15 horas por dia, em sábados e domingos, mais farmacêuticos teriam que ser contratados para cumprir a carga horária de acordo com a lei: “Para a farmácia funcionar hoje em Canaã, seguindo essa lei, teríamos que ter, em média, quatro profissionais. Isso resultaria em um valor muito alto em folha salarial para ser mantido por nós” explicam os donos de estabelecimentos do ramo.
 
Em entrevista, os proprietários resgataram um pouco da história e explicaram o início do impasse: “Em 2014, foi implantado um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) no município. Junto a isso, foi criado um piso salarial para os farmacêuticos, só que na criação desse piso não houve uma participação do proprietário de farmácia. Ou seja, a classe entrou em um consenso e criou um piso salarial inexistente a nível de Brasil e que não está em vigor em nenhum outro lugar, só em Canaã dos Carajás. Acontece que, àquela época quando foi feito isso, o movimento era outro. O comércio estava diferente, bem movimentado e a gente tolerou aquilo e estamos pagando o que foi pedido. Mas agora, além de quererem a integralidade, eles querem que a gente pague um valor que não existe no Brasil. Existe um sindicato na capital que decidiu, em convenção, que o valor a ser pago deveria ser de quase quatro salários, algo em torno de três salários e meio. A gente já pagava a mais que aquilo lá.”
 
Os empresários explicaram o que verdadeiramente buscam: “O que a gente quer hoje é que os farmacêuticos tenham bom senso e entrem em um acordo salarial que possa ser coerente para as duas partes e condiga com a realidade do município. Se nós não conseguirmos fazer isso, muitas portas vão fechar em Canaã dos Carajás. Não tem como pagar isso. As portas vão fechar e mais de 100 pais e mães de família poderão passar fome. Essa é a realidade. Em reunião com o presidente do CRF, explicamos a ele que não estamos olhando só o nosso lado, mas também o dos nossos funcionários. Se a gente fechar, as pessoas vão para a rua. Queremos que seja estabelecido um piso salarial condizente à realidade do município e que a gente consiga manter, mais esse ano de 2018, o TAC com oito horas de presença farmacêutica no estabelecimento.”


Reunião entre farmacêuticos e empresários
 
Na tarde da última quinta-feira (15), farmacêuticos e empresários chegaram a um acordo salarial. Na ocasião, o valor de R$ 3 mil, pedido pela própria classe, foi fechado. Poucas horas depois, no entanto, os donos de farmácia foram avisados de que o acordo estava desfeito e que os profissionais queriam continuar com o piso elevado: “Fomos informados, inclusive que o Conselho já começaria a fazer as fiscalizações sobre a integralidade das horas. Isso descumpriria o nosso acordo, pois 30 dias foram definidos para que a gente resolvesse essa questão” explicaram.
 
Reféns da situação, os empresários fizeram um desabafo: “O dono de farmácia não vai ter condição de contratar um farmacêutico com esse absurdo de valor. Os donos estão chateados e hoje já até demitiram alguns farmacêuticos. A situação é complicada e eles não querem acordo.”
 

Estrada fechada pelos donos de farmácia

A classe empresarial se reuniu no início do mês e fechou a rodovia que interliga Canaã a Parauapebas. O ato chamou a atenção da população para o problema vivido por eles. A classe não descarta a possibilidade de novos protestos. Nos próximos dias, representantes dos profissionais e classe empresarial devem se reunir com o Ministério Público para que se feche um acordo.
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