02/02/2022 às 11h03min - Atualizada em 02/02/2022 às 11h03min

Gameterapia auxilia na recuperação de vítimas de queimaduras

A inclusão de jogos eletrônicos à reabilitação de pacientes, chamada de gameterapia, conta com opções como canoagem, tênis e dança.

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Pacientes internados no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE) ganharam uma nova forma de recuperação: a gameterapia. A técnica, que une jogos digitais à reabilitação, auxilia no fortalecimento físico de vítimas de queimaduras na unidade hospitalar, referência em traumas de alta complexidade e queimaduras.

A gameterapia vai além das questões físicas, ajudando também na recuperação mental. No Metropolitano, por conta da gravidade dos casos, alguns pacientes precisam passar por amputações, o que desencadeia uma série de sentimentos negativos como tristeza, raiva ou estresse. “Com essa nova opção de tratamento, é possível observar, logo na primeira atividade, que esses sentimentos são amenizados porque eles veem que, mesmo despois do acidente, podem fazer as atividades”, afirma a Sâmia Feio, fisioterapeuta.

 Divulgação/Pró-Saúde

A atividade de gameterapia já é uma realidade em outras alas de recuperação do Hospital Metropolitano, criado pelo Governo do Pará e gerenciado pela Pró-Saúde, mas pela primeira vez é desenvolvida no Centro de Queimados.

“O paciente vítima de queimadura é diferente do que sofre um acidente de carro, por exemplo. Muitos desses pacientes passam dias e até meses aqui dentro, pois a recuperação da lesão é mais demorada. Nossa missão é identificar os aspectos para tornar esse percurso mais ameno e agregar qualidade de vida para essas pessoas”, destaca a fisioterapeuta e pesquisadora, Taize Oliveira.

No CTQ, a gameterapia é realizada semanalmente, a partir da identificação dos pacientes aptos a participarem, após análise dos aspectos clínicos de cada caso, por parte da equipe de fisioterapia.

“O nosso objetivo é fazer com que esse ambiente fique mais lúdico e que todos os pacientes participem, mas para isso eles precisam se enquadrar em alguns quesitos clínicos como, por exemplo, não estar com dor ou sob efeito de medicamentos. Esse cuidado é levado sempre em consideração”, comenta a fisioterapeuta Sandra Souza.

*Experiência do paciente*

Leandro de Souza Santos, 26 anos, está internado no Metropolitano há cerca um mês, em decorrência de um acidente com descarga elétrica. Apesar de tímido, o jovem, que é do município de Curionópolis, interior do Pará, gostou da nova atividade. “É muito bom poder sair do leito e vir para cá participar”, comenta.

Camila da Costa, 28, acompanhante e esposa de Leandro, avalia que a atividade veio para motivar o marido. “Fez muito bem para ele. Aqui, ele sorriu, brincou e isso faz toda a diferença. Depois do acidente, ele precisou amputar as duas pernas e agora está se recuperando bem. Será uma nova vida e teremos que reaprender muitas coisas”, diz ela.

Outro paciente que aprovou a gameterapia foi Aluísio Augusto, de 43 anos, morador de Santa Bárbara, Região Metropolitana de Belém, que está há 40 dias internado no CTQ.

“Eu trabalho com colheita de dendê e enquanto estava cortando, a foice bateu em uma fiação que ocasionou o choque”, conta sobre o acidente. “Nem quando eu era criança tive acesso a uma brincadeira assim. Obrigado por lembrarem de mim”, comenta sorridente sobre a terapia.

O HMUE é o único hospital público que possui um Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) no Pará, atuando como referência no Estado. Recentemente, a unidade lançou o e-book “Xô Queimaduras”, que reúne dicas simples e importantes para a prevenção de acidentes. O material está disponível para download gratuitamente na internet.


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