19/06/2017 às 14h42min - Atualizada em 19/06/2017 às 14h42min

Expedição Kateté: a missão dos Xikrins

Geraldo Pinheiro - Missionário e Jornalista
Como se relata um trabalho missionário? Seria muito fácil, talvez, para uns dizer o que pode ser feito durante um projeto de missões, principalmente quando há um grande número de pessoas envolvidas. Turma da limpeza, pessoal da cozinha, equipe de evangelismo, comissão de pastores, enfim, um organograma específico para o trabalho missionário. Até o registro de todos os episódios, dos melhores momentos em fotos, vídeos e captura de relatos. Essa parte coube a mim fazê-lo. Espero com este artigo levar a você o melhor de Deus, que é a luz para um trabalho onde poucos verdadeiramente se entregam. É fôlego de vida para os que ainda não acreditavam que o Deus que sirvo é vivo e eficaz. Cura e liberta. Também posso dizer que missão é uma grande mensagem de paz e amor ao ser humano.
Tive a honra e o privilégio de conhecer um grupo de pessoas maravilhosas e cheias da Graça de Deus. E isso só foi possível por causa de grande amigo e pastor Adenelson Botelho ou Pastor Denner, que possui um desejo incessante pelas missões. “Ide e pregai o evangelho a toda criatura”. Atendendo ao chamado de nosso Deus, nosso Pai, este nobre amigo é irmão de outra missionária que mora na cidade de Saint Antonio, Texas, nos Estados Unidos da América. Carlett Leister, carinhosamente chamada Carly, é esposa de um grande servo de Deus chamado David Leister que tive o imenso prazer em conhecer. Homem integro, honesto, amável e com um grande poder de aglutinar pessoas. Big Dave, como é chamado por seu cunhado, Denner, é membro de uma igreja do Texas que reúne mais de 22 mil pessoas, isso sem contar com os agregados, que contribuem muito para levar o nome de Jesus Cristo às nações nos quatro cantos do mundo.
Aqui também quero fazer inferências à outra parte desse grupo. Como disse no início do parágrafo anterior, foi um honra conhecer pessoas maravilhosas como Teagan Richter, Morgan Hellums, Heidi Moyer, Silvia Rushing, Brittany Smith, Craig Moyer, Karen Boland, Jim Howell, Christal Campbell e Jeanine Perron. Foram com essas pessoas que vivi uma semana abençoada para a Glória do Nosso Senhor Jesus. Com eles foi possível visitar as repartições públicas de Canaã dos Carajás como prefeitura, Mercado Municipal, Agência Canaã e a Associação Comercial. Por estes lugares também foi possível agradecer, orar e abençoar cada um dos gestores de tais entidades. Afinal, como seria possível fazer missões sem criar a possibilidade ou a oportunidade de falar de nosso criador e suas promessas para nossas vidas? Oração pela administração da cidade, oração pelo povo de Canaã e oração pela futura parceria entre Brasil e Estados Unidos, ou melhor Saint Antônio – Texas e Canaã dos Carajás – PA por que não?
Agora imagine sair de sua casa e pegar um avião, fazer três conexões e chegar no primeiro destino, há 230 quilômetros do destino final, após 23 horas de viagem? Lembra que eu disse à princípio, que há muitos que dizem ser fácil fazer missões? É por isso que eu quero reforçar o que diz a palavra de Deus: “E muitos são chamados, mas poucos os escolhidos” ou “A seara é grande, mas poucos são os ceifeiros”. Há aqueles que não são capazes de pregar dentro da própria casa, quanto mais promover o “ide” da bíblia. Mas nossa aventura missionária só estava começando. Depois de quase oito horas dentro de uma van, quatro paradas, 240 quilômetros percorridos, enfim chegamos ao nosso propósito principal, a aldeia do índios Xikrins do Kateté.
Nossos guias, Pr Elias e Pra Tania, um casal de pastores super agradável,  nos passaram ao longo da viagem os cuidados que deveríamos ter no primeiro contato com esta civilização. Informações gerais sobre costumes e tradições Xikrin foram mencionadas, além de algumas brincadeiras para assustar os americanos. Nada que eles não o fizesse, pois todos, sem exceção, estavam dispostos a passar por uma grande experiência com os índios da Amazônia.
Na chegada, os primeiro movimentos de desmobilização! Colchões, redes, material de cozinha e limpeza, além de todos os alimentos que foram trazidos como mantimento durante nossa aventura na selva. Ninguém se importou com a estrutura do alojamento, afinal o foco era alcançar pessoas e todos estavam sedentos para pregar a palavra de Deus. A fome apertava e nossa equipe de cozinha logo providenciou um lanche para a enganarmos. E aqui quero dispensar todos os nossos cumprimentos ao nosso amigo irmão Edimar e a querida irmã Fátima que não nos deixaram na mão e providenciaram não só a limpeza, mas um arroz carreteiro a moda mineira que saciou nossa vontade de comer.
Pausa para um devocional, testemunhos e mais oração após o almoço. Nossa ansiedade aumentava, pois queríamos conhecer logo o cacique e o pastor da tribo. Foi quando chegou até o alojamento o professor Kotire, uma benção de índio. Alegre, brincalhão até prometeu ao Big Dave que iria visitá-lo nos Estados Unidos. Uma graça!
Visitamos o Rio kateté e depois fomos ao encontro do cacique. No caminho admirávamos a mata, aprendíamos alguns nomes Xikrins e cumprimentávamos alguns dos aborígenes que passavam por nós vindos de diversas partes da Floresta Amazônica. Enfim chegamos à casa do cacique Tunire Xikrin. Fomos muito bem recebidos e nossos representantes já trataram de pôr em prática nosso propósito. David, Pr Adenelson, Pastor Elias, Pr Craig e todos os demais missionários, a pedido do cacique, e através da interseção do Espírito Santo de Deus, clamaram aos Senhor pela prosperidade da tribo e pela cura do neto do cacique que está enfermo, mas recebendo tratamento médico em Belém Capital do Estado do Pará.
Combinamos a programação de nossas atividades e seguimos até a casa do Pastor Tcôe, o líder espiritual da tribo. Mais uma vez fomos agradavelmente recebidos, apesar da noite que aparecia e em meio a escuridão que surgira, combinamos de nos encontrar no templo para culto daquela noite. Voltamos ao alojamento e nos organizamos para participar do Culto ao Senhor Jesus. Apesar do pequeno atraso, não nos intimidamos. Adentramos à igreja e louvamos à Deus junto aos demais presentes. Em reverência à visita, Pr. Tcôe convidou os missionários americanos à louvarem a Deus, pregarem a palavra e orar com base nos texto que foi separado para ser a mensagem daquela noite: 1Pe 5-8. Os pastores visitantes tiveram sua oportunidade ao longo do culto. Três culturas. Três momentos. Três povos diferentes. E porque não mencionar a trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Jesuscidência? Ora a palavra de Deus diz: “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” Para encerrar nossa primeira noite fomos cumprimentados por todos, sem exceção, todos os índios presentes na igreja se despediram dando à mão aos missionários visitantes.
No segundo dia, já recuperados da viagem exaustiva até a tribo dos XiKrins, os missionários americanos levantaram, tomaram seu café e partiram rumo à casa do cacique. Desta vez o chefe da tribo não contou história e nos levou para vivenciar o dia-a-dia dos Kateté. Vimos como se faz uma casa à moda indígena com madeiras retiradas da mata próxima, cipós e palha de palmeira. Serviço onde todos da família se envolvem, um ajudando o outro, para deixar o imóvel aconchegante.
Em seguida conhecemos e fotografamos com os índios mais antigos da aldeia e me dispus a mostrar aos demais como faz a pintura corporal, uma arte específica das mulheres da tribo. Todos se impressionaram com a habilidade e técnicas utilizadas pela índia. Com apenas carvão usado para dar cor, jenipapo para fixar o preto da pintura e água para diluir a ponto de tintura concentrada com fragmentos de madeira queimada, a indígena foi dando forma a sua arte. Depois fomos convidados pelo cacique à fazer uma trilha ecológica pela densa mata amazônica até o Rio Kateté. Aproximadamente uma hora de caminhada onde aprendemos mais algumas das curiosidades deste índios que são muito numerosos e suas tradições seculares nesta região.
Na volta fomos recebido na casa do Pastor Tcôe, onde todos quiseram deixar a impressão Xikrin registrada em seus corpos. Cada um com sua pintura levando pra casa sua experiência na Amazônia paraense. Pastor Craig, fez uma explanação de sua visão missionária a luz das orientações bíblicas e deixou também a palavra semeada ao cacique e ao líder espiritual da tribo.
Retornamos para nosso acampamento na expectativa de vivermos outras experiência com os índios da tribo Djydjeko. Na pausa para o almoço percebi que já tinha escrito mais de 1400 palavras, em três laudas de documentário sobre nossa fascinante viagem. Minha primeira experiência como missionário, deixando para trás minha esposa e filhos para levar a palavra de Deus às civilizações que ainda não foram convertidas ou se quer ouviram falar em Cristo Jesus. Deus nos abençoe neste projeto e clamo ao senhor que seja a primeira viagem missionária de muitas outras.
Assim diz a palavra de Deus: “o melhor de Deus está no por vir”. Realmente ninguém esperava como seria o desfecho dessa expedição aos Xikrins. Mas também não irei antecipá-la, uma vez que para nossa surpresa o Senhor Jesus já estava trabalhando pelo seu povo. Depois de termos almoçado pegamos nossa van, conduzida pelo nosso motorista Geonilson, também conhecido por Tico, e fomos para a aldeia dos Djydjeko. Lá o cacique dos Katete, já tinha avisado de nossa visita para sermos bem recebidos. O objetivo era conversar com o cacique mais atingo da tribo filho de Bep-Karoti, um dos indígenas mais respeitados da história dos Xikrins. Ao chegarmos cumprimentamos o ancião com um abraço e ouvimos suas histórias. Também conhecemos o pastor da aldeia Djydjeko, o pastor João. Ele também nos contou muitas histórias, pois foi o primeiro índio a ser evangelizado dos Xikrins há mais de 50 anos e passou a ensinar a palavra de Deus aos demais. Ele é o mestre do pastor Tcôe. Fizemos muitas perguntas e todas foram respondidas de maneira a sanar as dúvidas e curiosidades dos americanos. Depois de orarmos pela prosperidade daquele povo, nos despedimos e regressamos ao acampamento, pois se aproximava a hora do culto de santa ceia.
Enquanto aguardávamos o jantar, David reuniu o grupo para o momento devocional daquele dia. Todos ouviram a leitura feita pela querida Morgan e depois avaliaram os pontos altos e baixos do segundo dia de expedição. Com o jantar servido, todos comeram e não perderam muito tempo. Se arrumaram e partiram novamente à Igreja dos Kateté.
Pastor Tcôe convidou Pastor Adenelson, Pastor Craig, Pastor Elias e o missionário David a se fazerem presentes no altar para começarmos a ministração da Palavra de Deus. Com cânticos de louvor e adoração ao Senhor Jesus índios, americanos e brasileiros iniciaram o culto de santa ceia. Mateus 4 -4 foi orientação bíblica e todos acompanharam atentos a pregação da palavra. Big Dave anunciou o evangelho em Salmos capítulo 133 verso 1, que fala sobre a importância da comunhão entre os irmãos. A maior surpresa da noite foi a apresentação das meninas índias que louvaram ao Senhor Deus com vários cânticos de muita adoração. Os missionários americanos dançaram, cantaram e se alegraram com índios Xikrins.
Aleluias, aleluias, aleluias, glória ao Senhor Jesus que se entregou por nós na cruz do calvário para nos libertar das correntes deste mundo.
Ao final do culto o cacique nos convidou para orar pelos guerreiros da tribo Xikrin e abençoá-los para manutenção deste projeto que mês a mês tem contribuído para alcançar mais almas para Cristo.
Nunca tinha me imaginado participando desse tipo de atividade. Para mim foi um momento de reflexão, inspiração e propósito cujo principal objetivo é simples, porém nada fácil, levar àqueles que ainda conhecem a Deus e seus mistérios, uma palavra de amor que cura, liberta e salva: A Palavra de Deus!
Quero aqui manifestar meus sinceros agradecimentos em primeiro lugar a Deus que me deu ousadia para presenciar essa maravilha de passeio com os missionários americanos. Agradecer ao Pastor Adenelson Botelho, homem de Deus que me apresentou essa missão e que me dispus a estar participando deste projeto mais vezes, ao Pastor Elias servo do Senhor Jesus, homem que lida com os povos indígenas há mais de 15 anos e aos meus novos amigos David Leister e Carlett Leister que oportunizaram ao missionários americanos essa vinda ao Brasil para conhecer uma outra cultura e desbravar com os Amazônidas a arte de pregar a palavra de Deus.
Obrigado a todos os envolvidos nesse projeto missionário. Obrigado Deus por participar da Expedição Katetê: A Missão dos Xikrins!
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