27/04/2018 às 08h57min - Atualizada em 27/04/2018 às 08h57min

Líderes das Coreias prometem assinar acordo de paz para acabar com guerra ainda neste ano

Países também concordaram em trabalhar pela desnuclearização da península. Líderes tiveram encontro histórico e fizeram declaração conjunta.

G1 - Jornal In Foco
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Líder norte-coreano e presidente sul-coreano fazem gesto conjunto após declaração (Foto: Reuters/Reprodução)
O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e o líder norte-coreano, Kim Jong-um, comprometeram–se nesta sexta-feira (27) a assinar um acordo de paz para acabar com a guerra entre as Coreias ainda neste ano. O pacto vai substituir o armistício de 1953. Essa guerra foi interrompida por cessar-fogo, mas nunca teve fim oficial.
 
Líderes também concordaram em trabalhar pela desnuclearização da península. A declaração conjunta ocorreu durante encontro histórico que aconteceu em Panmunjon, zona desmilitarizada entre os dois países.
 
"Os dois líderes solenemente declararam ante 80 milhões de coreanos e todo o mundo que não vai haver mais guerra na península da Coreia e que uma nova era de paz começou", diz a declaração.
Ditador da Coreia do Norte cruza a fronteira com a rival histórica Coreia do Sul
Principais compromissos assumidos
Cessar todos os atos hostis entre os países por terra, ar e mar;
Realizar, através da desnuclearização completa, uma península coreana livre de armas nucleares;
Transformar a área desmilitarizada em zona de paz, eliminando ações como a distribuição de propaganda;
Participar juntos de eventos esportivos, como os Jogos Asiáticos de 2018;
Esforçar-se para resolver rapidamente as questões humanitárias que surgiram com a divisão das Coreias;
Continuar com um programa de reunião para famílias separadas pela guerra;
Implementar todos acordos feitos até agora pelos dois países;
Manter diálogos e negociações em vários campos;
Encorajar trocas, cooperação e contatos em todos os níveis.
 
No encontro, que durou 100 minutos, eles “falaram sobre a desnuclearização, estabelecimento da paz na península e sobre melhoria das relações” entre os dois países, que seguem em guerra, segundo informou o porta-voz da presidência sul-coreana, Yoon Young-chan.
 
“A Coreia do Sul e do Norte compartilham a visão de que as medidas iniciadas pela Coreia do Norte são muito significativas e cruciais para a desnuclearização da Península Coreana e concordaram em desempenhar suas respectivas funções e responsabilidades nesse sentido. A Coreia do Sul concordou em buscar ativamente o apoio e a cooperação da comunidade internacional para a desnuclearização da península coreana", diz a declaração conjunta.
 
Os dois países também "decidiram continuar com o programa de reunião de famílias separadas por ocasião do Dia de Libertação Nacional em 15 de agosto deste ano". A data coincide com a celebração da rendição do Japão ao final da Segunda Guerra Mundial, informa o comunicado conjunto.
 
Encontro histórico
A conversa entre os dois líderes teve início às 10h15 (22h15 de quinta, 26, em Brasília). Após se cumprimentarem, Moon aceitou o convite de Kim e pisou brevemente no lado Norte da fronteira, sorrindo. Em seguida, ambos cruzaram para o lado Sul.
 
O presidente sul-coreano disse a Kim que estava "feliz por conhecê-lo" e mais tarde afirmou que a presença de Kim fazia de Panmunjon um símbolo de paz, e não mais de divisão.
 
Eles foram então escoltados por uma guarnição de honra até a Casa da Paz, edifício que abriga a cúpula e que está localizado na margem sul da fronteira intercoreana. Foi neste local que o cessar-fogo de 1953 entre os dois países foi assinado.
 
Ali, Kim assinou um livro de visitas, onde deixou a seguinte mensagem: “Uma nova história começa agora - no ponto inicial da história e na era da paz”.
 
A agência norte-coreana KCNA afirmou que Kim pretende "discutir de coração aberto com Moon Jae-in todas as questões com objetivo de melhorar relações intercoreanas e alcançar paz, prosperidade e reunificação da península coreana".
 
 
O líder norte-coreano disse ainda ao presidente sul-coreano que está disposto a visitá-lo em Seul "a qualquer momento que for convidado", informou a presidência sul-coreana.
 
Kim é o primeiro líder norte-coreano a pisar em solo sul-coreano desde o final da Guerra da Coreia (1950-1953), que terminou com um cessar-fogo em vez de um tratado de paz.
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