O legado do padre Giovanni Gallo, fundador do Museu do Marajó e uma das figuras mais importantes da cultura amazônica, será celebrado com uma programação especial em homenagem aos 99 anos de nascimento do religioso, nos dias 26 e 27 de abril, em Cachoeira do Arari, no arquipélago do Marajó.
As atividades reúnem manifestações culturais, exibição de filmes, celebração religiosa e ações voltadas à preservação da memória do sacerdote italiano que se tornou referência na defesa da identidade marajoara.
A programação começa no domingo (26), com apresentações culturais de grupos locais das 9h às 12h, no Museu do Marajó. Durante o período, também haverá comercialização de artesanato e comidas típicas em frente ao espaço, reforçando a valorização da cultura e dos saberes tradicionais da região.
À tarde, às 16h, será exibido o filme Ajuntador de Cacos, na Sala de Cinema Paulo Miranda. Dirigido por Paulo Miranda, o documentário retrata a trajetória de Giovanni Gallo, sua atuação no Marajó e o trabalho de preservação histórica desenvolvido por meio do museu.
As homenagens continuam na segunda-feira (27), data do aniversário do religioso, com missa celebrativa às 9h, também na Sala de Cinema Paulo Miranda. Após a cerimônia, o público poderá visitar o jazigo do padre Giovanni Gallo, localizado no bosque do Museu do Marajó.
Ainda pela manhã, às 10h30, será realizada uma reunião para a criação da Comissão do Centenário do Padre Giovanni Gallo, iniciando os preparativos para as celebrações dos 100 anos do fundador do museu, em 2027.
No período da tarde, a programação segue com uma mostra de curtas-metragens produzidos pelo próprio Giovanni Gallo sobre o Marajó. Serão exibidos os filmes Barcedo, Família, Igreja e Jacaré, registros históricos do cotidiano e da cultura do arquipélago produzidos pelo sacerdote na década de 1970.
Para o diretor do Sistema Integrado de Museus e Memoriais, Armando Sobral, o aniversário de Giovanni Gallo representa mais do que a celebração de um legado cultural.
Segundo ele, a trajetória do religioso deixou ensinamentos ligados à cooperação, resistência, memória e transformação social, tornando-se referência para as futuras gerações.
Nascido na Itália, Giovanni Gallo viveu cerca de três décadas no Marajó e se tornou um dos grandes expoentes da museologia na Amazônia. Chegou à região nos anos 1970 e, em 1972, fundou o Museu do Marajó a partir de peças arqueológicas — os chamados “cacos” — recebidas da população local.
Desde então, o espaço se consolidou como símbolo da valorização da cultura marajoara, reunindo acervo arqueológico, memória popular e iniciativas voltadas à pesquisa, educação e desenvolvimento social.
Além da atuação religiosa e museológica, Giovanni Gallo também registrou em filmes cenas do cotidiano do arquipélago, deixando um importante acervo audiovisual sobre o povo marajoara.
Reconhecido por sua contribuição à cultura paraense, recebeu em 1981 o título de Cidadão do Pará e, em 2000, o de Cidadão do Turismo Paraense.
A programação dos 99 anos reforça a permanência de um legado que ultrapassa o campo religioso e permanece vivo na história, na cultura e na identidade do Marajó.