26/05/2017 às 14h11min - Atualizada em 26/05/2017 às 14h11min

Autoridades visitam a Fazenda Santa Lúcia

Comissão começa as investigações no lugar do confronto

Silvia Lopes - Jornal In Foco
No fim da manhã desta quinta-feira, 25, desembarcaram no aeroporto de Redenção membros de uma comissão que investigará a tragédia ocorrida na última quarta-feira, 24, em que 10 integrantes do movimento sem-terra foram mortos em confronto com a polícia no município de Pau D’Arco.
 
O Procurador Geral de Justiça, Gilberto Valente, a Procuradora da República Débora Duprat e membros do Conselho Nacional de Direitos Humanos tiveram uma reunião a portas fechadas com o advogado das vítimas, José Vargas Junior e alguns representantes da Ordem dos Advogados do Brasil. A reunião aconteceu na sede da OAB em Redenção e contou com a presença de alguns familiares das vítimas. Após alguns minutos, a conversa foi interrompida, pois as autoridades priorizaram uma vistoria no local do confronto. Segundo eles, é preciso primeiro tentar entender o que e como, de fato, tudo aconteceu.
 
De lá, a comissão seguiu por cerca de 60 quilômetros até o local do confronto. Após quase 4 horas de buscas pelo local exato, sem o auxílio de familiares ou de policiais que atuaram na operação, a única coisa encontrada foi um acampamento montado em meio a mata fechada e não há indícios de que aquele seria o local correto do enfrentamento. “Encontramos mantimentos, muitos remédios, livro, Bíblia, em um acampamento no meio da mata fechada, mas não encontramos sangue e nem cheiro. Não há vestígios de que o acampamento seja o local do confronto, tenho medo de me comprometer em uma análise que eu não tenho capacidade técnica para fazer” disse a Procurada da República Débora Duprat.
 
O Promotor Agrário de Redenção, Eric Ricardo Sousa Fernandes, falou sobre as buscas do grupo ao local: “Percorremos grande área verificando algumas situações, alguns pontos. Encontramos alguns objetos, pertences pessoais e agora retornaremos ao Ministério Público para verificar o que faremos daqui para frente, o que pediremos da perícia, quais documentos exigiremos. Vamos querer saber como tudo aconteceu” disse.
 
Em nota, a Secretaria de Comunicação do Pará disse que qualquer informação ainda é prematura: “O trabalho da perícia acabou de começar. Só depois que os peritos tiverem a avaliação concreta do que eles estão colhendo aqui, poderemos dizer pelo menos que indícios eles encontraram e quais caminhos as investigações podem tomar a partir daí”. A secretaria reforçou ainda que nos arredores da fazenda dois acampamentos foram encontrados, mas ainda não se tem certeza do que realmente são, bem como se são os únicos.
 
O subcomandante da Polícia Militar do Estado do Pará, Coronel Leão Braga, também chegou na manhã de quinta-feira na região sudeste do estado e acompanhou o primeiro levantamento feito na área e falou da importância do trabalho conjunto da Polícia Militar, Polícia Civil, dos peritos do CPC Renato Chaves, do Ministério Público Estadual e Federal. “Chegamos no local do possível conflito e a perícia está colhendo provas, fazendo os primeiros levantamentos. Existem dois lugares onde, possivelmente, eles estariam acampados. Não temos provas ainda de cápsulas de balas, estamos, nesse momento, fazendo apenas a segurança para manter o local do crime preservado.
Os números da violência no campo em 2017 são alarmantes. Só de janeiro a maio desse ano, 18 mortes foram registradas no sul e sudeste do Pará.
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