24/05/2017 às 00h27min - Atualizada em 24/05/2017 às 00h27min

'O Congresso tem que mostrar que não vai parar', diz Meirelles

Em sua primeira aparição pública após a divulgação da delação da JBS, ministro diz que agenda econômica vai continuar 'independente de qualquer coisa’

Darlan Alvarenga - G1
Reprodução G1
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, defendeu nesta terça-feira (23) a necessidade do avanço das reformas no Congresso e disse que a agenda econômica vai continuar "independente de qualquer coisa" e não pode ser interrompida pela crise política.
 
"O Congresso tem que mostrar que não vai parar e vai continuar votando as questões fundamentais para o país", afirmou Meirelles em seminário sobre infraestrutura, em São Paulo.
 
Em sua primeira aparição pública após a divulgação da delação da JBS na semana passada, que provocou uma crise política envolvendo o presidente Michel Temer, Meirelles não comentou diretamente o assunto nem respondeu a perguntas, e evitou falar a palavra crise. Disse estar numa “agenda intensa de trabalho” com membros do legislativo e agentes econômicos “visando assegurar que todo esse projeto continue”.
“A última coisa que nós precisamos agora é a economia começar a ter problema porque temos aí essas questões que estão sendo discutidas na área da política”, disse o ministro, que voltou a afirmar que o país “já está em trajetória de crescimento”.
Segundo Meirelles, é preciso, no entanto, avançar com as reformas para “sustentar essa trajetória de crescimento” e garantir o ajuste das contas públicas.
"Existe uma consciência nacional de que as reformas precisam ser feitas", disse Meirelles citando que Rodrigo Maia, presidente da Câmara, estima que a votação da reforma da Previdência aconteça no começo de julho.
 
Meirelles também citou também a conversa que teve com investidores em teleconferência feita na véspera, na qual disse ter questionado os analistas se “existe dúvidas de que a política econômica que está sendo seguida vai continuar”.
Em teleconferência com investidores na segunda-feira, Meirelles também ressaltou a importância das reformas. Ele admitiu, no entanto, que a votação da reforma da Previdência poderia atrasar "semanas" diante da crise política.
 
Aplausos ao falar que agenda vai continuar

O ministro foi aplaudido pela plateia ao comentar que muitos poderiam estar “preocupados com o que vai acontecer amanhã”, enquanto ele decidia usar a oportunidade para falar sobre a agenda de reformas defendida pelo governo para aumentar a produtividade da economia brasileira.

“Eu acho que essa é a agenda que o país está engajado e que vai continuar, independente de qualquer coisa. É a minha hipótese de trabalho. É nisso que eu acredito”, disse antes receber os aplausos de empresários e investidores.
Embora o seu nome esteja sendo ventilado como um possível candidato à Presidência no caso de uma eventual eleição indireta, Meirelles procurou enfatizar que seu compromisso é de médio e longo prazo, através da condução de uma agenda de reformas estruturantes e de micro reformas que visem a melhora da produtividade.

“Aposto no futuro do país, estou comprometido a isso, e estou de fato trabalhando dia e noite nessa direção”, disse o ministro ao encerrar sua palestra.
Na sua chegada ao auditório, ao ser questionado pelo G1 se há alguma chance dele ser candidato a presidente, Meirelles apenas sorriu e acenou para as câmeras, sem responder.

A organização do evento chegou a anunciar que o ministro daria uma entrevista coletiva e reservou uma área para o encontro com jornalistas, mas Meirelles deixou o local sem falar com a imprensa.

Agenda de microreformas

Entre as mudanças para melhorar a produtividade do país e reduzir a burocracia, Meirelles citou medidas em estudo para reduzir o tempo de abertura de empresas, simplificação do pagamento de tributos e maior facilitação para os procedimentos de importação e redução.
Segundo o ministro, juntamente com a aprovação das reformas da Previdência e trabalhistas, essa agenda econômica tem o potencial de elevar o crescimento do PIB nos próximos 10 anos de uma média de 2,3% para algo em torno de 3,7%.
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