10/11/2021 às 18h19min - Atualizada em 10/11/2021 às 18h19min

Remo faz manobra arriscada com saída de Conceição, mas era hora de não pecar pela omissão

Leão cai em desempenho físico, técnico, tático e emocional e se vê em fase crítica; Treinador não conseguia mais mostrar evolução com um time que só tinha preocupação em defender

Ge Pa

O Remo realizou uma manobra arriscada ao decidir pela saída do técnico Felipe Conceição. Trocas abruptas de treinadores – no caso do Leão, faltando três rodadas para o final da Série B -, podem ter efeito positivos e negativos, é quase como uma loteria. Se não dá para trocar os jogadores, é mais fácil mudar o comando. Porém, diante de uma equipe que vem caindo pela tabela, a diretoria azulina preferiu não pecar pela omissão e tentar algo novo.

Felipe Conceição foi o principal responsável pela arrancada do Remo a partir da 10ª rodada da competição. De lanterna, o time chegou a figurar na primeira parte da classificação. Teve uma fase em que se cogitou, inclusive, uma vaga em G-4. Comemorado por torcedores e pela imprensa, Conceição ganhou aval público do presidente Fábio Bentes por uma renovação para 2022.

Mas a maior Série B de todos os tempos foi traiçoeira para o Leão e seu (agora ex) treinador. Em meio a desfalques, Conceição viu a equipe não conquistar mais os resultados, entretanto, ao menos, tinha bom desempenho. Hoje, nem isso. O Remo deixou de ser corajoso, de jogar bem contra os grandes clubes, de propor jogo, de mostrar, taticamente, que tinha como surpreender os adversários.

 

Felipe Conceição comandou o Remo em 28 jogos, com 11 vitórias, quatro empates e 13 derrotas. Deixou o clube na 15ª posição com 41 pontos, apenas três a mais que o Londrina, que abre o Z-4 da Série B.

 

O Remo do Felipe Conceição passou a usar uma única estratégia: se defender. Se defender como pode e esperar por uma única bola. Só. Mas de tanto pressionar, o adversário faz o gol. Só aí a equipe se esperta. E já é tarde demais, afinal, os azulinos têm um dos piores ataques do torneio nacional. Fazer gol é muito, muito difícil.

Felipe Conceição perdeu peças importantes ao longo da temporada por lesões, é verdade. Não conta com o seu principal goleiro. Apesar de Thiago Coelho se sair bem no arco, Vinícius é liderança nata. Teve a zaga segura com Romércio e Kevem desfeita. Erick Flores, essencial, sumiu em meio a uma contusão. Para completar, Felipe Gedoz, um dos atletas de melhor nível técnico do elenco, teve que ficar de fora da reta final por um problema no joelho.

Conceição não conseguiu reverter a má fase azulina — Foto: Samara Miranda

Conceição não conseguiu reverter a má fase azulina — Foto: Samara Miranda

Conceição não conseguiu reverter a má fase azulina — Foto: Samara Miranda

Mas o comandante também se perdeu em escolhas equivocadas. Felipe Gedoz de “falso 9” é uma delas. Uma grande furada, inclusive. Gedoz rende quando atua como 10, armador, figura pensante. Há quem conteste Lucas Siqueira e Arthur atuando juntos no meio. Por último, insistiu com Neto Pessoa em um time sem jogadores que pudessem municiar o centroavante. Se o Remo só se defende, pra que serve uma figura com essa característica?

No fim das contas, o Remo teve, sim, mais motivos para mudar do que para manter Felipe Conceição. Nos últimos 30 pontos disputados, apenas sete conquistados. Argumentos por atacado. Antes festejado, sai com grandes chances de ser esquecido pelo torcedor. No mínimo, o Leão procura sair do abalo emocional que se instalou no Baenão. Uma cara nova deve pintar no comando remista. O objetivo é só um: evitar o rebaixamento.


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