05/11/2017 às 20h57min - Atualizada em 05/11/2017 às 20h57min

Domingo de ENEM em Canaã: tema improvável de redação e candidatos atrasados movimentam o dia

Mais de 1700 alunos se inscreveram para a prova em Canaã. Tema proposto para a redação dividiu opiniões. Veja redação modelo feita por colunista

Kleysykennyson Carneiro - Jornal In Foco
Fotos: Reprodução e Ricardo Mesquita
A primeira fase da prova do Enem 2017 aconteceu neste domingo (5) em todo o Brasil. No país, mais de 6 milhões de pessoas fizeram a inscrição para o Exame Nacional do Ensino Médio. Por decisão do Ministério da Educação, a prova deste ano se dividiu em duas etapas e neste domingo os participantes tiveram que fazer as provas de Linguagem, Códigos e Suas Tecnologias, Ciências Humanas e Suas Tecnologias, além da temida redação. Para o próximo domingo (12), as Ciências da Natureza e a Matemática estarão no centro das atenções dos aspirantes às vagas nas universidades brasileiras. Como em todo o país, a prova também foi aplicada em Canaã e mais de 1700 alunos foram esperados nas escolas Maria de Lourdes, Sebastião Agripino, Carmelo Mendes, João Nelson dos Prazeres, Tancredo Neves e Alexandro Nunes.
 
Os portões se abriram pontualmente às 11 horas na terra do minério, seguindo o horário de verão com base em Brasília. A entrada dos vestibulandos aconteceu de forma tranquila em todas as escolas. Esconder a ansiedade, no entanto, era tarefa das mais difíceis. Muita gente usou as redes sociais para mostrar os lanches separados para a maratona de perguntas e para a construção da redação.


 
A estudante Louise Emanuelle, que chegou à escola Sebastião Agripino com uma hora e meia de antecedência, fez a prova como traineé e falou sobre as suas futuras escolhas profissionais: “Eu ainda estou em dúvida sobre qual curso quero fazer. Eu queria mesmo fazer história, mas não dá tanto dinheiro assim. Além de história, outro curso que me atrai é Terapia Ocupacional.” Sobre a prova realizada neste domingo, a estudante falou: “Foi muito cansativa, pois em linguagem tem muita interpretação de texto e as questões foram relacionadas às estratégias argumentativas, variação linguística e campanhas publicitárias, geografia caiu mudanças climáticas, evento geológico, tipos de vegetação, a questão ambiental relacionada às hidrelétricas... Já história, caiu muito sobre a Ditadura Militar e a Era Vargas."
 
Sobre o tema da redação, Louise explicou: “Foi muito complicado, pois a gente não tem uma base, só os textos de apoio. Durante a minha formação, eu não tive muita base sobre os Desafios para Formação de Surdos. Para mim, a redação não foi boa e acho que a minha nota não vai ser o que eu esperava. Mas, quem tem conhecimento sobre o assunto, vai tirar uma nota alta. Eu não achei o tema legal para um vestibular, surpreendeu a todos. Eu acho que o tema deve ser abordado, pois é tão importante quanto qualquer outro, mas tem pessoas que não têm base para fazer uma redação boa e acho que a minha foi bem mais ou menos.”


Louise chegou com antecedência, mas não gostou do tema da redação
 
E não foi só Louise que estranhou o tema. Veja abaixo algumas postagens no Twitter de pessoas que não gostaram da proposta deste ano.


 
Na contramão do desgosto, a colunista Andrea Ramal, do Portal G1, fez uma redação modelo sobre o tema. Confira abaixo:
 
"Por uma escola que fale a linguagem de todos
O Plano Nacional de Educação tem, entre suas metas, a universalização do acesso à educação básica para a população entre 4 e 17 anos com deficiências, preferencialmente na rede regular de ensino. A meta parte do princípio de que a formação escolar é direito de todos e todos devem se desenvolver e aprender juntos. No entanto, o sistema educacional brasileiro está longe de ser inclusivo.
Não podemos negar que houve avanços. Nos últimos anos, as matrículas dos estudantes com deficiências praticamente dobraram. Porém, construir uma educação inclusiva vai muito além da mera criação de vagas.
Um exemplo disso é o que ocorre com os estudantes surdos: embora muitos tenham passado a frequentar a escola regular, é comum que os professores e a maioria dos estudantes não dominem Libras, o que coloca em risco a aprendizagem e a socialização. Não falar a língua do outro é uma forma velada de desprezo e rejeição. Acontece uma espécie de “inclusão excludente”: o aluno surdo frequenta o mesmo espaço, mas não é devidamente atendido.
Para que a educação seja inclusiva de fato, é preciso adaptar a infraestrutura das escolas, que precisa contar com salas e recursos multifuncionais e ser planejada com acessibilidade arquitetônica e tecnológica. Além disso, é necessário capacitar os docentes para aprimorar as práticas pedagógicas, de forma que a sala de aula seja um ambiente de oportunidades reais para todos.
A principal mudança está na atitude da comunidade educativa. Teremos escolas inclusivas quando todos os que fazem parte dela – professores, estudantes, famílias - acreditarem que no convívio com os diferentes aprendemos mais e nos tornamos pessoas melhores. É na sala de aula, laboratório do mundo que queremos construir, que uma nova sociedade pode começar."
 
 
Enquanto a maioria das pessoas chegou ao local da prova com bastante antecedência, algumas pessoas fizeram confusão com os horários das provas. O estudante Everson, de 17 anos, veio de Palestina no Pará exclusivamente para fazer a prova. O jovem deixou para cima da hora e chegou no portão da escola três minutos depois que foi fechado. Como a regra é para todos, Everson não conseguiu fazer a prova e vai ter que esperar até o ano que vem por uma nova oportunidade.


Everson veio de Palestina e acabou confundindo os horários
 
Sem conseguir esconder a frustração, Everson se mostrou surpreso: “Como assim? Não era meio dia? Horário de verão? No Pará? Nossa, eu vim de outra cidade só pra fazer essa prova. Que m...!” Por não acompanhar as notícias, o aluno perdeu a prova e atrasou, pelo menos por um ano, o sonho de ingressar em uma universidade.


Portões se fecham e vestibulanda vai embora desolada
 
Mas Everson não foi o único, muita gente chegou tarde e deu meia volta sem esconder a tristeza. Exemplos como esses, devem servir como alerta, pois o Enem continua na semana que vem. O bom mesmo é fazer como a Louise e chegar com uma hora e meia de antecedência só para garantir que todas as portas estarão abertas para o futuro.
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