20/05/2017 às 16h49min - Atualizada em 20/05/2017 às 16h49min

A guerra civil na Síria

O conflito já é considerado um dos maiores desastres humanitários dos últimos anos

Karla Rocha e Aurélio Duvivier - Jornal In Foco
Reprodução
No início de 2010, em busca de melhorias sociais e contra regimes ditatoriais, começou a Primavera Árabe, sequência de revoltas em diferentes países, a começar pela Tunísia e seguindo por nações como Egito, Líbia, Iêmen, Bahrein e Jordânia. Na Síria ocorreu da mesma forma, manifestantes foram as ruas contra o governo de Bashar al-Assad. Desde a década de 1970 de maneira ditatorial, a Síria é governada pela família al-Assad desde. Bashar al-Assad  assumiu o país em 2000, após a morte de seu pai, Hafez al-Assad. O governo de Bashar sofreu inúmeras críticas pela corrupção e pela falta de liberdade política. Essas críticas tomaram novas proporções com a Primavera Árabe.
    
Em Março de 2011, a resposta do governo sírio foi violenta, o que motivou novas rebeliões em diferentes partes da Síria, como na capital, Damasco, e Aleppo, a maior cidade da Síria. Assim, se instaurou o conflito que já dura 6 anos e já vitimou milhares de pessoas.
    
O conflito se transformou em mais que uma batalha entre aqueles que apoiavam Assad e os que se opunham a ele - adquiriu contornos de guerra sectária entre a maioria sunita do país e xiitas alauítas, o braço do Islamismo a que pertence o presidente.

Intervenção estrangeira   
A guerra civil na Síria tomou as grandes proporções atuais, principalmente, em razão da interferência estrangeira no país. Diversos países envolveram-se direta ou indiretamente no conflito, financiando determinados grupos.

O governo sírio possui o apoio da Rússia e do Irã, que enviam, além de armas e dinheiro, tropas. O Exército Livre da Síria e o Exército curdo recebem o apoio dos Estados Unidos. Além disso, a Turquia também financia o Exército Livre da Síria, mas luta abertamente contra o Exército curdo ( curdos são uma minoria perseguida na Turquia). Outros países que atuam no conflito são Arábia Saudita, Reino Unido, França etc.

 Recentemente, em virtude do ataque americano contra a base aérea do governo sírio na cidade de Homs, as relações entre Rússia e Estados Unidos ficaram abaladas. A Rússia e o Irã manifestaram sua insatisfação ao ataque feito pelos Estados Unidos ao governo sírio (aliado russo).

Os Estados Unidos realizaram essa intervenção porque atribuem a Bashar al-Assad o ataque químico que aconteceu em abril deste ano contra a cidade de Khan Sheikhoun. As armas químicas usadas em Khan Sheikhoun, no dia 4 de abril, resultaram em 86 mortes sendo 27 delas crianças – convulsionando e espumando pela boca – causados pelo altamente tóxico gás sarin. Não só a Organização Mundial da Saúde quanto a instituição de caridade médica Médico sem fronteiras, disseram que alguma das vítimas apresentavam sintomas consistentes de exposição a agentes que afetam o sistema nervoso.

Refúgio e Impacto    

A guerra que se estende por seis anos, já resultou em 470 mil mortes segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) e gerou uma crise internacional de refugiados. Estima-se que mais de  cinco milhões de sírios deixaram sua terra natal e hoje vivem em países como Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia. Parte deles conseguiu cruzar as fronteiras com a Europa. Na América Latina, o Brasil é um dos destinos mais procurados pelos cidadãos que fogem da guerra civil. A ONU disse que são necessários US$ 3,2 bilhões para prover ajuda humanitária a 13,5 milhões de pessoas - incluindo seis milhões de crianças - no país. Além disso, 70% da população não tem acesso a água potável, uma em cada três pessoas não consegue suprir as necessidades alimentares básicas, mais de 2 milhões de crianças não vão à escola e uma em cada cinco indivíduos vive na pobreza.

Em tempo
    
Na última terça-feira (09), o presidente americano, Donald Trump aprovou o envio de armas às milícias curdas (YPG) que combatem o grupo extremista Estado Islâmico (EI) na Síria. Dana W. White, porta-voz chefe do Pentágono emitiu um comunicado sobre a decisão, segundo o jornal "New York Times" “Ontem, o presidente autorizou o Departamento da Defesa a equipar elementos curdos das Forças Democráticas Sírias (FDS, na sigla em inglês) o que for necessário para garantir uma clara vitória sobre o ISIS em Raqqa, na Síria", declarou.
   
As Forças Democráticas da Síria é um acordo firmado por grupos de combate sírios curdos e árabes que lutam em terra contra o governo do presidente sírio Bashar Al-Assad. Os EUA já apoiam os combatentes árabes. A aliança tem o apoio da coalizão internacional liderada pelos EUA.
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