23/09/2021 às 08h52min - Atualizada em 23/09/2021 às 08h52min

Açaí vira estrela tipo exportação no agro paraense

Os últimos 11 anos foram marcados pela expansão de áreas de produção para o agronegócio paraense. Um dos destaques é a produção do açaí, hoje um sabor conhecido em todo o Brasil e no mundo.

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As estrelas do setor agropecuário dos últimos 11 anos são culturas direcionadas à exportação. A soja, a cana-de-açúcar, o dendê e o açaí estão entre as lavouras com maior destaque no último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a economia no campo nos municípios paraenses. Acompanhando a tendência de setor integrado ao mercado global de produção de alimentos, o Estado registrou nos últimos anos um crescimento de 6,75 milhões de hectares de área agricultável - entre 2006 e 2017.

Os números da monocultura sojeira mostra que o avanço do setor está ligado a esse modelo de agronegócio no Estado. O IBGE constatou que a produção de soja chegou a 1,2 milhão de toneladas em 579 propriedades. A cana chegou a 913 mil toneladas em 1,9 mil estabelecimentos e o dendê bateu as 816 toneladas.

Apesar de estar em quarto lugar em relação ao volume de produção, o plantio do açaí é um os grandes protagonistas desse crescimento no agronegócio paraense. Um dos impactos mais sentidos dessa produção é a popularização do produto em escalas nacional e internacional. O que antes era uma atividade tipicamente extrativista e ligada ao consumo interno, profundamente entranhada à cultura alimentar do paraense, ganhou status de commoditie a ser exportada para o mundo todo. Hoje é possível encontrar as sobremesas de açaí, muito diferentes da forma tradicional consumida localmente, por todo o Brasil e também em países como os Estados Unidos e os da Europa.

A produção de açaí, registrada em 2017, foi de 242 mil toneladas de açaí em 35,4 mil estabelecimentos rurais produtores. Segundo informações da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Pará (Sedap), o Estado é o maior produtor nacional de açaí. Em 2019, o volume anual de produção foi de 1.320.150 toneladas de frutos em uma cerca de 188 mil hectares de área plantada.

Entre 2010 e 2019, a produção foi crescente em função de manejo de açaizais nativos em  áreas de várzeas  e o plantio de açaí irrigado em terra firme. Somente em 2014 e 2018 houve um pequeno decréscimo produtivo ligado a problemas de clima. Os números da Sedap apontam que a produção aumentou 32% entre 2015 e 2019. Em 2018, o Pará comercializou mais de R$ 788,4 milhões em produtos originados do beneficiamento do açaí, em movimentações nacionais e internacionais.

Expansão

Nos mais recentes censos do IBGE, entre 2006 e 2017, é como se o Pará tivesse agregado em sua economia rural uma área do tamanho dos Estados do Rio de Janeiro e Sergipe ao saltar de 22,92 milhões de hectares, em 2006, para 29,7 milhões em 2017. Os números oficiais mostram que a quantidade de estabelecimentos agropecuários no Pará aumentou 26,87%, saindo de 222.029 unidades, em 2006, para 281.704, totalizando 59.675 unidades a mais.

A pecuária, um dos pontos fortes do agronegócio paraense, também cresceu no período. O Estado registrou um rebanho de 15.298.613 cabeças, uma alta de 1.364.730 cabeças (9,79%) em relação a 2006. Porém apresentou redução na quantidade de búfalos, com 320.784 reses, uma queda de 50.956 cabeças, ou 13,70%, em relação a 2006 também.

 Violência no campo

Na mesma medida que o Pará comemora os bons resultados do agronegócio no território, também registra uma triste estatística no campo: a de crimes contra lideranças camponesas. Neste ano, por ocasião do aniversário de 25 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos divulgaram que o Pará segue sendo “recordista de ameaças e assassinatos” no meio rural.

O site da CPT lista cinco eventos marcantes de violência no campo entre 2010 e 2019. Um deles é a morte de Dilma Ferreira Silva, liderança do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB). Ela foi uma das vítimas de um triplo assassinato no Assentamento Salvador Allende, município de Baião, no Nordeste paraense. No dia 22 de março de 2019, ela, seu esposo, Claudionor Amaro Costa da Silva, e um conhecido do casal, Milton Lopes, 38, foram encontrados mortos.

Comissão Pastoral da Terra aponta violência no campo no Pará.

Comissão Pastoral da Terra aponta violência no campo no Pará.

 Comissão Pastoral da Terra aponta violência no campo no Pará. | Reprodução
 

 

Dois dias depois ao massacre, mais três corpos carbonizados foram achados em uma fazenda perto do assentamento onde aconteceu a primeira matança. Desta vez as vítimas foram Marlete da Silva Oliveira, Raimundo de Jesus Ferreira e Venilson Da Silva Santos. Uma força-tarefa da Polícia Civil foi montada para apurar o caso e Fernando Ferreira Rosa Filho, conhecido como “Fernandinho”, foi preso como suspeito de ser o mandante dos crimes.

Também com informações da Comissão, dez trabalhadores rurais sem-terra foram mortos em uma ação policial, supostamente organizada para cumprir mandados de prisão contra ocupantes da Fazenda Santa Lúcia / Acampamento Nova Vida, no município de Pau D’arco, no Sul do Pará. Os crimes ocorreram no dia 24 de maio de 2017. Quinze policiais chegaram a ser presos preventivamente em setembro de 2017, mas foram soltos por decisão no Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE-PA), em dezembro de 2017.

Em 2015, um casal e os três filhos pequenos foram mortos a golpes de facão e tiros em disputa por lote de terra entre ocupantes na Fazenda Estiva, em Conceição do Araguaia, no Sul do Pará. O crime teria sido cometido por dois irmãos que ocupavam a área, teriam abandonado o lote e queriam o terreno de volta.

O ano de 2010 também foi tragicamente marcado por um massacre no município de Pacajá, na região da Transamazônica. Seis pessoas foram assassinadas em um conflito e fez pelo menos mais de uma dezena de outras vítimas entre assentados. A situação envolveu cerca de 70 famílias assentadas da região e a Associação do Projeto de Assentamento Cururuí, que acabou por se ligar a madeireiros que realizam extração na região do assentamento.


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