21/10/2017 às 01h41min - Atualizada em 21/10/2017 às 01h41min

Reunião na Câmara Municipal nesta sexta-feira discute ações contra as queimadas no município

Diversos órgãos e setores da sociedade se reuniram para traçar um plano de ação e conscientização do poder devastador das queimadas

Kleysykennyson Carneiro - Jornal In Foco
Fotos: Ricardo Mesquita
O que fazer para acabar com as queimadas em Canaã dos Carajás? Para responder a essa pergunta, diversos órgãos e setores da sociedade civil organizada se reuniram na tarde desta sexta-feira (20) na Câmara Municipal. O principal objetivo do debate era ouvir o que cada um tinha a dizer sobre o assunto e criar, a partir disso, um plano de ação contra as queimadas no município. Entre os presentes, estavam o representante do Ministério Público e promotor de justiça, Ruy Barbosa, o presidente em exercício da OAB, subseção de Canaã, Ageu Oliveira e os representantes da Vale, Fábio Queiroga e Mario Luis Magalhães. Além deles, o tenente Renato representou o Corpo de Bombeiros, Jardel Mesquita representou a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Graça Reis representou a Agência Canaã.


 
Canaã está entre os municípios que mais queimam em todo o estado do Pará. O promotor de justiça Ruy Barbosa afirmou que o problema é visível aos olhos, mas que talvez o caminho não seja o de se fazer punições mais severas aos infratores: “Acho que nós podemos evitar o caminho de ‘porrada e bomba’ com educação. Essa mudança de cultura é fundamental e nós podemos pensar em conjunto novas ideias.”
 
O promotor ainda afirmou que as queimadas estão tornando o solo ruim e os impactos ambientais são absurdos se comparados ao tamanho da área do município. Dr. Ruy ainda fez alguns alertas: “Os trabalhadores rurais são fundamentais para a economia, mas estão fazendo do jeito errado. O fogo é um método de trabalho milenar que precisa ser mudado e o Ministério Público quer essa mudança. Se essa geração não mudar agora, essa região vai ficar inviável, sem as Áreas de Preservação Permanente, o que vemos é uma tragédia anunciada. Vamos pensar em conjunto novas ideias!”


 
Carlos Mariano, presidente do Sindicato Rural de Canaã, afirmou que o problema existe e é antigo, pois tudo começou da maneira errada: “Hoje o que nos resta a fazer é conscientizar e tentar corrigir o erro. Alguns produtores rurais têm culpa, mas muitas vezes somos vítimas, pois a maioria dos locais que têm queimada são na propriedade da Vale.”
 
Mario Magalhães, engenheiro florestal da Vale, falou sobre como a mineradora trabalha com a problemática: “A atuação da Vale nesse sentido é regional e nos baseamos em três princípios: prevenção, detecção e combate. A ideia é a gente sempre trabalhar de forma preventiva.” Mario também afirmou que esse ano está sendo o mais crítico: “Tivemos vários focos grandes de incêndio simultaneamente e o combate foi difícil. Se não nos unirmos, vamos ter uma crise hídrica em breve.”


 
Durante a reunião, também surgiu o debate sobre quem são os grandes culpados pelo crescimento dos focos de incêndio. De acordo com o Dr. Ruy, toda a sociedade possui a sua parcela de culpa nesse sentido. O promotor ainda deixou claro que educar e conscientizar é o melhor caminho, mas caso não haja melhorias por meio da conversa, o Ministério Público agirá com mais rigor no município.
   
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