10/10/2017 às 15h11min - Atualizada em 10/10/2017 às 15h11min

Os olhos do coração

Paulo Silber
Secretaria de Comunicação do Pará
O Círio de Nazaré é um daqueles eventos que transcendem o momento. Uma data maior que o tempo que lhe é reservado no espaço. Cada procissão, passo a passo, é resultado de um processo coletivo consagrado, no imaginário humano, pela coleção de simbolismos que lhe dão legitimidade e importância.
Os moinhos de mãos e olhares distintos, alinhavando-se pela fé.
A fotografia é cúmplice dessa verdade. Guardião da História, o fotógrafo se apropria da realidade, acolhendo-a com os olhos, protegendo-a com técnica e sensibilidade, para depois oferecê-la, fazendo de cada registro um ofício de fé.
Nestas fotos, salta aos olhos a combinação entre opostos. O fotógrafo exerce o dom de conciliar diferentes domínios, numa comunhão de gentes e gestos que transformam o Círio de Nazaré no espetáculo que é: o carnaval devoto, nas sábias palavras de Dalcídio Jurandir.
Os moinhos de mãos e olhares distintos, alinhavando-se pela fé. Rabiscos de luz, que conduz feéricos e opacos, dando lume ao que já tem quilate. A onda de súplicas elevadas ao céu para atar-se ao porto seguro da berlinda. A simbiose de gente e natureza no limiar do real e do imaginado. O transe de alegria e contrição, no ápice de um momento mágico. O passeio da Virgem sobre a colcha de águas, na bainha da grande cidade.
A revoada de sonhos e gratidões abrindo caminho à padroeira. Dor e amor, delírio e confiança, desespero e superação, tudo na mesma moldura da fé.
Releia a verdade do Círio, revendo essas imagens, e acendendo a emoção pelos olhos de Carlos Sodré, Cristino Martins, Marcelo Lélis, Rodolfo Oliveira, Mácio Ferreira, Raimundo Paccó, Marcio Nagano e Thiago Gomes. Quando os olhos reveem, o coração consente. E agradece.

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