03/05/2017 às 21h00min - Atualizada em 15/05/2017 às 15h25min

13ª sessão é marcada por clima tenso

Os manifestantes foram convidados a se retirar do plenário

Kleysykennyson Carneiro - Jornal In Foco
RICARDO MESQUITA

O clima foi tenso na 13ª Sessão Ordinária da Câmara de Vereadores de Canaã, que aconteceu no último dia 3. Um grupo de profissionais da educação do município protestava fervorosamente em frente ao prédio do legislativo e reivindicava o reajuste salarial de acordo com a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), que é o índice oficial da inflação no país. O grupo usou um carro de som e chamou a atenção do público que chegava para assistir a sessão. Durante o ato, os manifestantes cobraram de forma enérgica uma resolução para o problema e se mostraram insatisfeitos com a atuação dos vereadores em relação a educação, em especial do vereador João Batista (PT).
 
Do lado de dentro, o pleito aconteceu normalmente. A secretária de Assistência Social, Alexânia de Morais, utilizou a tribuna para responder a algumas acusações feitas nas semanas anteriores contra a pasta que representa. A gestora trouxe dados e fotos dos trabalhos feitos pela secretaria durante a sua gestão e justificou algumas das denúncias pela falta de recursos para atender a demanda, “apesar da diminuição de recursos, o trabalho não parou” afirmou. Ela ainda trouxe o parecer técnico de um funcionário da pasta. Quanto à polêmica da compra dos pães, a secretária explicou que a demanda é altíssima nos projetos desenvolvidos pela Assistência e que aquilo era necessário para uma alimentação digna das crianças.
 
Depois do pronunciamento da gestora, o vereador Wilson Leite (PDT) fez o uso da tribuna e agradeceu a ela pelas explicações, falou dos bons anos de Canaã e lembrou que 2017 começou muito mal com o desemprego e portanto as demandas tendiam a aumentar. Após o relato e apresentações da secretária, o legislador afirmou que 20 mil reais eram pouco para alimentar as crianças, pois ainda havia muitas passando fome. Ao fim, se mostrou disposto a ajudar e convocou a todos para que fizessem, de fato, parte do governo.
 
Na sequência, a vereadora Maria Pereira (PDT) tomou a palavra e rebateu a fala da secretária. “Não se come 20 mil reais de pão em 4 dias” e cobrou maiores explicações da pasta. Além disso, falou do requerimento que fez para uma audiência pública com o governo estadual para verificar a situação das escolas estaduais do município.
 
A vereadora Vânia Mascarenhas (PDT), como de costume, foi enérgica em seu discurso e disse que a realidade dos programas da secretaria é bem diferente do que a apresentada nos slides que a gestora havia trazido. A pedetista também elogiou o trabalho dos técnicos da pasta e pediu mais transparência nas ações, pois a cidade vive um momento terrível.
 
Além da fala, a gestora aproveitou a ocasião para encaminhar um ofício, que pede uma CPI na Secretaria de Assistência Social, ao executivo. O documento foi entregue ao presidente da casa.
 
Logo em seguida, o vereador João Batista usou o seu espaço na tribuna e fez um discurso fervoroso e indignado. O legislador pediu respeito ao seu mandato e se mostrou insatisfeito com as polêmicas envolvendo o seu nome. “Eu não contrato, nem exonero ninguém, isso é trabalho do prefeito. Não seguro a secretária de educação no cargo, pois não tenho poder para isso, se tivesse esse poder, teria segurado o ex-secretário de obras, Zito, no cargo. Este que foi o melhor secretário da história do município” falou o vereador. Na ocasião, o petista falou que não admitiria jamais que a sua imagem fosse denegrida por alguns funcionários insatisfeitos da secretaria de educação. Lembrou que foi o candidato, representante da classe, com mais votos e defendeu com entusiasmo a educação municipal.
O discurso inflamado de João Batista não passou sem o protesto de alguns manifestantes na plateia. Enquanto o legislador falava, gritos indignados de oposição e até palavrões foram ouvidos. Houve um momento em que o presidente da casa, o vereador Junior Garra (PR), precisou interromper a fala do petista e lembrar do regimento interno que impedia a manifestação do público durante o discurso do parlamentar. Ao fim, o presidente pediu que a comissão de educação investigasse a existência de mais servidores da educação com documentos falsos.
 
Dois projetos de lei de reformulação orçamentária, o 007/2017 e o 008/2017, foram aprovados de forma unânime pela casa. Uma indicação ao executivo de autoria do vereador Élio do Líder (PMDB) também foi aprovada por todos os vereadores.
 
 
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