19/02/2020 às 09h09min - Atualizada em 19/02/2020 às 09h09min

Aos 55 anos, Robson Caetano mira os Jogos de Tóquio agora como treinador: "Causa nobre"

Dono de duas medalhas olímpicas, carioca assume o posto de técnico da velocista Fabiana Moraes, especialista nos 100m com barreira: "Se eu sou um caminho para isso, vamos nessa"

- Jornal In Foco
Globo Esporte
Foto: João Guerra
A cada dia de treinamento nas pistas de atletismo, Fabiana Moraes vê o outro lado do mundo ficar cada vez mais próximo. Aos 33 anos, a barreirista segue uma preparação diária em busca do sonho de competir mais uma vez em uma Olimpíada. E, para carimbar o passaporte para Tóquio e brigar por uma inédita medalha no Japão, a atleta conta com os conselhos e o apoio de um nome que conhece como ninguém o caminho das pedras quando o assunto é Jogos Olímpicos: Robson Caetano.
 
Duas vezes medalhista de bronze nas Olimpíadas, em 1988 e 1996, o ex-velocista de 55 anos aceitou o desafio de ser o novo treinador de Fabiana e acompanha diariamente a sua evolução. Os dois já se conhecem há quase vinte anos, mas o trabalho em conjunto visando a Tóquio começou apenas em dezembro do ano passado, quando a atleta telefonou para Robson Caetano para pedir "conselhos de pai" sobre os próximos passos na carreira.
 
- Quando conversamos pela primeira vez, eu disse de cara: "Não quero dar treino para atleta, não é a minha praia". Mas ela me disse que queria ser medalhista olímpica. E quem sou para tirar o sonho de alguém? Se eu sou um caminho para isso, vamos nessa. Com toda a certeza, se envolver em uma causa nobre como essa faz muito sentido e vale muito a pena. E eu posso falar, como medalhista olímpico, quando pensei em estar em uma Olimpíada, tinha alguém para estar comigo - revelou Robson Caetano.
 

 
Campeã brasileira e sul-americana, Fabiana tem o recorde pessoal de 12s84 nos 100m com barreiras como inspiração para chegar a Tóquio. A marca foi atingida durante Meeting Internacional de Ávila, na Espanha, em 2017, e é exatamente o índice exigido pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF) para os Jogos Olímpicos.
 
- A única atleta da América do Sul a conseguir o índice das Olimpíadas nos últimos 17 anos sou eu. Então, se alguém me pergunta: "você já tem a classificação para os Jogos?", eu digo: "eu tenho a marca, e preciso confirmá-la esse ano". Você vai em qualquer lugar e todo mundo pergunta: "e aí, já fez a marca?" Então, acho que é uma forma positiva de pensar, de já me colocar lá. Eu já fiz, então eu posso fazer de novo e posso fazer melhor - afirmou Fabiana em entrevista ao fim do treino na Urca.
 

 
Depois de abraçar o desafio com a atleta, Robson Caetano virou uma verdadeira companhia durante os trabalhos da barreirista. O medalhista olímpico também dá aulas como personal trainer nas praias do Rio de Janeiro, mas faz questão de fazer trabalhos personalizados para Fabiana e até correr lado a lado com a atleta nos treinamentos para dar o máximo de suporte e acompanhar de perto toda a evolução.
 
- Eu diria que a evolução desde quando começamos até agora é muito boa. Mas ela ainda está numa condição apenas boa, precisa entrar em uma condição muito boa para começarmos a treinar e a colocar barreira. Preciso dela mais leve e mais potente ainda. Claro que o tempo é muito curto, mas eu não posso acelerar o processo. O objetivo é ela estar forte mental e fisicamente para poder realizar o treinamento com intensidade lá em cima, que é o que ela precisa para estar nos Jogos Olímpicos, com chances de estar na final e, consequentemente, brigar pela medalha.
 
"Nessa avaliação que eu faço, estou muito otimista, acredito muito. De 0 a 100, eu acredito 120%. Mas eu não posso fazer, eu não posso estar lá por ela. No máximo, posso fazer um tiro ou outro com ela para incentivar, mas o meu treino não é brincadeira. É pegado, é para leão" - afirmou o ex-velocista de 55 anos.


 
Segundo a própria atleta, a atenção individualizada recebida com Robson tem sido um dos pontos fundamentais para o seu crescimento. Algo que ela nunca tinha experimentado em trabalhos com outros treinadores.
 
- Eu queria uma pessoa para estar comigo, como é o trabalho que ele faz, bastante personalizado, dando tiros comigo. Eu não vou encontrar isso em lugar nenhum no mundo. Nunca tive isso, um treinador que entra na pista comigo literalmente para correr junto, me puxar quando eu não estou aguentando.
 

"Para mim, o primordial é isso: essa relação que a gente tem. Ele sabe puxar a orelha no momento certo, sabe dar conselho e dar elogio quando precisa. Mas é trabalho duro todos os dias e fortalecendo a cabeça, que é o que eu preciso agora" - afirmou Fabiana


Agora, Fabiana busca retomar a forma física e a velocidade ideal para iniciar os trabalhos com seu novo treinador já nas barreiras e ir em busca do sonho do pódio no Japão.
 
- Como atleta, eu não posso encerrar minha carreira sem conquistar uma medalha olímpica. Estou trabalhando para isso. Se vai vir em Tóquio ou não, isso é questão de tempo, mas trabalho todos os dias para acontecer. Depende muito de nós.
 
Sentado no banco após mais um dia de sol forte e treino puxado na Urca, Robson observa a determinação da corredora nas respostas e, antes de se levantar para o fim da entrevista, ainda dá o último conselho do dia. Uma dica de medalhista olímpico:
 
"Coloca a venda nos olhos e vai sem medo."
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