13/02/2020 às 11h05min - Atualizada em 13/02/2020 às 11h05min

Em sessão da Câmara Municipal, advogado abre o verbo contra a Vale

Vinícius Borba: “A Vale mente e está agindo fora da lei. Ela pode ter dinheiro, mas não é autoridade!”

Beatriz Macieira - Jornal In Foco
Responsável por representar centenas de produtores rurais atingidos pela implantação do projeto S11D em Canaã dos Carajás, o advogado Vinícius Borba utilizou a tribuna da Câmara Municipal na última terça-feira (11) e não poupou críticas à mineradora. Durante o Grande Expediente, Borba falou sobre a dificuldade vivida pelos agricultores e explicou que eles tentam há quase três anos uma reunião com representantes da mineradora, mas são, na prática, ignorados.

O advogado afirmou que, no passado, admirou a Vale, mas que, atualmente, se envergonha disso. “A Vale é uma das maiores decepções que tive como pessoa. Imagino que serei zombado e até processado pela Vale pelo que direi, mas tenho coragem e não me furtarei de defender os meus clientes.”

De acordo com Vinícius, os produtores da Serra do Rabo não podem produzir em suas terras desde 2017, quando o Parque Nacional dos Campos Ferruginosos foi criado. De lá para cá, os agricultores não foram indenizados, remanejados ou mesmo orientados sobre o que deveria ser feito. O advogado explicou que o cuidado devido com os agricultores era uma condicionante para a exploração mineral na região, o que a Vale tem descumprido desde então.

“A Vale vem humilhando as pessoas da zona rural de Canaã. Me causa espanto essa capacidade de ignorar as pessoas. Ela afirmou que resolveria a questão até janeiro, mas até agora nada e isso foi tratado em uma reunião formal. A Vale vem de forma desrespeitosa e mentirosa agindo fora da lei; ela mentiu pros vereadores, pro prefeito, pra sociedade” afirmou em desabafo.

Finalizando sua crítica, o advogado pediu apoio dos vereadores na luta dos produtores rurais e pediu que toda a comunidade também se posicione favorável à classe. “Esse sofrimento é de todos nós! A Vale precisa de um freio. Essa empresa precisa respeitar Canaã como uma cidade soberana. Essa empresa pode ter dinheiro, mas não é autoridade. Os funcionários dela também não são.”
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