30/01/2020 às 15h29min - Atualizada em 30/01/2020 às 15h29min

​Coronavírus: os dados de hospital chinês que mostram o impacto do contágio no corpo humano

Febre, tosse, falta de ar e dores musculares estão entre os sintomas apresentados por parte dos pacientes tratados no epicentro da doença.

- Jornal In Foco
G1
Foto: Reprodução
Para os médicos, lutar contra o novo coronavírus tem sido uma batalha contra o desconhecido.
 
Como ele ataca o corpo? Quais são todos os seus sintomas? Quem tem mais chances de ficar gravemente doente ou morrer? Como tratar a doença?
 
Só agora as respostas começam a surgir, a partir de relatos de médicos que estão lidando diretamente com a epidemia no hospital Jinyintan, em Wuhan — cidade chinesa que é o epicentro da epidemia.
 
Uma análise detalhada dos casos dos primeiros 99 pacientes a serem tratados lá foi publicada no periódico de medicina Lancet.
 
Todos os 99 pacientes levados ao hospital tiveram pneumonia — seus pulmões estavam inflamados e os minúsculos sacos onde o oxgiênio se transfere do ar para o sangue estavam se enchendo de água.
 
Outros sintomas eram:
 
82 tinham febre
81 tinham tosse
31 sentiam falta de ar
11 tinham dores musculares
9 se sentiam confusos
8 sentiam dor de cabeça
5 tinham dor de garganta

As primeiras mortes

Os dois primeiros pacientes a morrer pareciam saudáveis, embora fossem fumantes há muitos anos — o que pode ter enfraquecido seus pulmões.
 
O primeiro, um homem de 61 anos de idade, teve uma pneumonia severa quando chegou ao hospital.
 
Ele estava com desconforto respiratório agudo, o que significa que seus pulmões eram incapazes de fornecer oxigênio suficiente aos órgãos para manter seu corpo vivo.
 
Embora estivesse respirando com a ajuda de aparelhos, seus pulmões entraram em colapso e o coração deixou de bater.
 
Ele morreu 11 dias depois da internação.
 
O segundo paciente a morrer, um homem de 69 anos, também teve síndrome do desconforto respiratório agudo.
 
Ele morreu de pneumonia severa e choque séptico quando sua pressão sanguínea desabou.
 
Pelo menos 10% morrem

Até 25 de janeiro, dos 99 pacientes:
 
Isso não significa que a taxa de mortandade da doença é 11%, porque alguns dos que estão no hospital ainda podem morrer, e muitos outros a adquirir a doença têm sintomas leves e não vão para o hospital.
 
Acredita-se que animais vivos à venda no mercado de peixes e frutos do mar sejam a origem da infecção, chamada de 2019-nCoV.
 
Isso porque 49 dos 99 pacientes tinham uma conexão direta com o mercado:
 
Homens de meia idade

A médida de idade dos pacientes era de 57 anos, e 67 deles eram homens.
 
Porém, dados mais recentes mostram uma divisão de gênero mais igualitária. Os Centros para Controle e Prevenção de Doenças da China disseram que, para cada 1,2 homem infectado, havia uma mulher infectada.
 
Há duas explicações possíveis para a diferença:
 
Os homens podem ser mais sujeitos a adoecer gravemente e precisar de tratamento hospitalar

Os homens, por questões sociais ou culturais, podem ter ficado mais vulneráveis à exposição ao vírus no início da epidemia

O médico Li Zhang, que trabalha no hospital onde os pacientes estão sendo atendidos, diz que "a menor suscetibilidade de mulheres a infecções virais pode ser atribuída à proteção
do cromossomo X e a hormônios sexuais, que desempenham um papel importante na imunidade".
 
A maioria dos 99 tinha outras doenças que podem tê-los deixado mais vulneráveis ao vírus como "resultado de funções imunológicas mais fracas desses pacientes".
 
40 tinham um coração fraco ou o sistema circulatório danificado por problemas cardíacos ou derrames

12 pacientes tinham diabetes
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