07/01/2020 às 13h41min - Atualizada em 07/01/2020 às 13h41min

O que esperar da política em Canaã dos Carajás no ano de 2020?

Há 10 meses das eleições municipais, o Jornal In Foco faz uma breve análise sobre o futuro da política na Terra Prometida. Jeová Andrade tem fôlego pra eleger um sucessor? Jean Carlos já é o prefeito municipal? Josemira Gadelha x Alexandre Pereira e mais

Beatriz Macieira - Jornal In Foco
Fotos: Jefferson Almeida e reprodução Internet
Jeová Andrade é o político que mais acumula votos na história de Canaã dos Carajás. Pioneiro no município, Jeová conquistou mais de 30 mil eleitores nas eleições de 2012 e 2016. Há quase oito anos no cargo, o gestor conseguiu, em partes pelo gordo orçamento que teve nas mãos, mudar a cara da Terra Prometida. No entanto, o seu reinado chega ao fim em 2020 e os rumores em torno da sua sucessão são cada vez mais fortes.
 
Em dezembro, o prefeito anunciou Josemira Gadelha como a pré-candidata do governo municipal às eleições. A advogada e ex-presidente da OAB ainda é uma “ilustre desconhecida” da população e seu anúncio, apesar de não surpreender a cúpula do MDB local, incomodou figuras de peso da sigla.
 
Um exemplo bem claro disso é o vice-prefeito Alexandre Pereira, que havia se filiado ao MDB em meados de 2019. Depois de 30 anos militando pelo PT, Pereira pediu filiação ao partido de Jeová para ser o candidato do governo em 2020. Ao saber da escolha do colega de chapa, Alexandre convocou toda a imprensa e, em sua residência na Vila Planalto, anunciou que sairia do partido – seis meses depois de ter se filiado, e que manteria sua pré-candidatura. Ao seu lado, seis vereadores, mais Zito Augusto, também pré-candidato ao governo, confirmaram apoio à sua pretensão eleitoral.
 
Questionado sobre o sentimento de traição, Alexandre falou. “Traição é uma palavra muito forte, mas sim, fui traído”, afirmou se referindo a Jeová Andrade.
 
A decisão de Alexandre, que já foi prefeito em exercício mais de 140 vezes, acabou enfraquecendo a base do governo e ameaça gravemente a hegemonia do grupo político que está no poder há quase uma década em Canaã. Alheio a tudo isso, Jeová Andrade tem fôlego para bancar a candidatura da advogada e transferir os votos que obteve?

   
Quem lidera as pesquisas e ri do racha no grupo do governo é Jean Carlos. Segundo colocado nas eleições de 2016, Jean é franco favorito ao cargo de prefeito em Canaã e é o principal nome da oposição à Jeová Andrade. Apadrinhado pelo deputado estadual e empresário Chamonzinho, ele vem forte para a disputa majoritária de 2020, a mesma de qual saiu humilhado em 2016, não tendo sequer metade dos votos que o atual prefeito. Quatro anos depois e com a maior estrutura de comunicação do sul do Pará a seu favor, Carlos já não é um aventureiro e sabe que só perde essa eleição se o grupo de Jeová se reorganizar e fazer com que o nome de Josemira Gadelha cresça. Tem como grande desafio a rejeição que, segundo as pesquisas, é a maior entre todos os pré-candidatos.

   

Correndo por fora, o empresário Arildo Neres pareceu mostrar força em 2019. No entanto, bem sumido do jogo político, Arildo parece ter perdido a vontade de disputar um dos cargos mais cobiçados do Pará e já não parece assombrar os seus adversários. Nas pesquisas eleitorais, o empresário não pontuou muito bem. Por outro lado, é um dos que mais mostra força nas redes sociais, o que, obviamente, está longe de ser o bastante para ascender a um cargo tão importante.
 
Amargurado, esquecido e apostando todas as suas fichas em um discurso dicotômico e conservador, Agnaldo Costa afirma ser a “única oposição verdadeira em Canaã”. Tudo porque, vira e mexe, o ex-secretário de Obras e Finanças do município diz aos quatro cantos que, quando a corrida eleitoral de fato começar, Jean Carlos e Jeová Andrade darão as mãos e disputarão juntos o pleito. “Esnobado” pelo atual governo, Agnaldo não esconde o rancor e produz vídeos semanalmente para apontar os erros da gestão da qual participou. Um dos líderes do PSL em Canaã, ex-partido do presidente Jair Bolsonaro, Agnaldo - apesar do vasto conhecimento político, aparenta ter adotado a estratégia errada e, como pré-candidato a prefeito, não assusta seus adversários.
   
Mais pré-candidatos:
 
Wilson Leite – Decepcionou como presidente da Câmara Municipal de Canaã dos Carajás e não deve tentar a disputa majoritária em 2020. É provável que se reeleja vereador e lute para renovar o mandato de chefe do legislativo. É possível, também, que seja o vice de Josemira ou Jean Carlos.
 
Gesiel Ribeiro – Sempre apontado como pré-candidato, Gesiel também não deve disputar as eleições para prefeito. Há rumores de que será companheiro de chapa de Josemira Gadelha, Zito Augusto ou, até, Alexandre Pereira. Se não, deve se reeleger vereador em Canaã.
 
Zito Augusto – Nome forte. Preterido por Jeová Andrade, se aliou a Alexandre, mas não deve apostar na candidatura do vice até o fim. É o nome escolhido de alguns vereadores e há na cidade uma campanha para que ele seja o candidato do governo na disputa.
 
Marilda Natal – Carta fora do baralho, Marilda não deve disputar as eleições em 2020, mas sempre será lembrada pela brilhante campanha de 2012, quando ficou em segundo lugar, perdendo para Jeová Andrade.
 
Pedro da GP (Pedro da Acciaca) – Nome cogitado no final do ano passado, Pedro não parece ter pretensões ao cargo e não foi abraçado pelo empresariado, como se esperava. Está fora da disputa.
 
Alex Silveira – Secretário de Administração, sustentou a pré-candidatura até o anúncio de Josemira. Sem ter apoio de Jeová, o jovem advogado parece ter desistido de tentar realizar o sonho de gerir Canaã. É possível que dispute uma vaga na Câmara Municipal.
 
Walter Diniz – Decano da Câmara Municipal de Canaã dos Carajás, Walter pontuou bem em pesquisas, mas deve apoiar Josemira Gadelha na disputa e tentar se eleger vereador pela sexta vez no município.
 
Junior Super – Eterno pré-candidato a prefeito de Canaã dos Carajás, Junior Super simplesmente não decola. Apesar do carisma e da força que tem como empreendedor, Super não pontua nas pesquisas. Tem como marca registrada a megalomania em dizer que transformará Canaã na “Dubai brasileira”. É engraçado, ousado, mas não convence ninguém.
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