25/10/2019 às 14h10min - Atualizada em 25/10/2019 às 14h10min

​Brasil e China assim novos acordos comerciais contemplando o agronegócio

- Jornal In Foco
Notícias Agrícolas
Reprodução: Internet
O Brasil e a China assinaram oito acordos comerciais nesta sexta-feira (25), com a maioria deles contemplando o agronegócio. Em um encontro entre o presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o presidente chinês Xi Jinping, foram firmados protocolos envolvendo carne processada, farelo de algodão e energia renovável, como noticiou o jornal O Globo. 
 
Ainda segundo a publicação, as negociações efetivas para o etanol brasileiro, que têm evoluído bem nos últimos meses, ficaram para novembro. 

Em um seminário realizado hoje em Pequim, Bolsonaro se manifestou sobre o estreitamento das relações entre os dois países - que comemoram 45 anos de laços diplomáticos - dizendo que "China e Brasil nasceram para caminhar juntos". O presidente disse ainda que os dois governos estão bastante alinhados para alcançar relações que possam ir além dos comerciais e de negócios. 

A emissora de TV estatal chinesa CCTV noticiou ainda que xi afirmou que os planos da nação asiática para seguir desenvolvendo suas relações com o Brasil em uma perspectiva de longo prazo continuam, com o objetivo maior de uma cooperação mútua. 

Nas próximas semanas, o Brasil deverá ter mais plantas frigoríficas habilitadas a exportar para a China, além das 25 concessões que já foram feitas no último mês, incluindo unidades de carne suína, de aves e bovina. São, atualmente, 89 plantas aprovadas e habilitadas. 

A agência internacional de notícias Bloomberg destacou ainda que a visita da delegação brasileira à China estaria ainda "em busca de investimentos estrangeiros para participar de seu programa de privatização para acelerar seu lento crescimento econômico".

XI JINPING NO BRASIL
 
Xi Jinping deverá visitar o Brasil em novembro, quando vem à América do Sul para o fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, no Chile. Em 2018, a receita gerada pelo comércio entre Brasil e China foi de US$ 113 bilhões, alimentada, principalmente, pelo voraz apetite chinês por commodities. 
 
 
No ano passado, as exportações brasileiras de soja, por exemplo, foram de quase 84 milhões de toneladas, com a maior parte destinada à China. Neste ano, o Brasil já tem cerca de 68 milhões de toneladas da oleaginosa da safra 2018/19 comprometidas, e a nação asiática continua sendo o principal destino. 

Não só as commodities têm sido beneficiadas, mas os produtos processados também, em especial as proteínas animais. 

"Um estudo realizado pela Agrifatto aponta que o desempenho das exportações de carne bovina in natura tem demonstrado alta desde a habilitação das novas plantas exportadoras para China. As habilitações das novas plantas frigoríficas a exportar carne bovina ao gigante asiático foram confirmadas no dia 9 de setembro, desde então, a arroba do boi gordo pelo indicador Cepea subiu 6,71%", diz o reporte diário da consultoria.

Para o vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira, Pedro de Camargo Neto, este é um momento extremamente favorável para o Brasil e vê nestes novos acordos relações bem duradouras com a China. 

"Estamos avançando com nosso maior cliente e isso é muito bom. A China tem que comprar e nós temos que vender, eles não são nossos concorrentes, muito pelo contrário. Então, são sim relações muito duradouras", diz Neto. 

Ao mesmo tempo, lembra ainda que é preciso que o Brasil siga trabalhando corretamente, conhecendo os detalhes mais específicos de seu cliente, sem esquecer que a guerra comercial entre China e Estados Unidos continua. 

"Essa disputa beneficiou o Brasil, já que os EUA sim são nossos concorrentes. Eles têm tudo o que nós temos. Então, é uma vantagem, mas também um risco. Eles podem retomar, a qualquer momento", completa. 

XINHUA: Xi diz que cooperação China-Brasil terá um futuro mais brilhante

A política da China de desenvolver as relações com o Brasil a partir de uma altura estratégica e perspectiva de longo prazo permanece inalterada e a cooperação mutuamente benéfica entre os dois países terá um futuro mais brilhante, disse na sexta-feira o presidente chinês, Xi Jinping.

Xi fez as declarações ao conversar com o presidente brasileiro, Jair Messias Bolsonaro, no Grande Palácio do Povo, em Beijing.

Xi disse que o mundo de hoje está marcado por mudanças não vistas em um século, mas a tendência dos tempos caracterizada pela paz, desenvolvimento e cooperação ganha-ganha permanece inalterada e que o ímpeto de ascensão coletiva dos países em desenvolvimento e mercados emergentes, incluindo a China e o Brasil, permanece inalterado.
 
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