03/08/2017 às 00h51min - Atualizada em 03/08/2017 às 00h51min

Clima quente na volta do legislativo

21ª Sessão Ordinária tem a presença do prefeito Jeová Andrade, farpas trocadas e público exaltado.

Kleysykennyson Carneiro - Jornal In Foco
Fotos: Ricardo Mesquita
A calmaria na política de Canaã dos Carajás parece ter chegado ao fim, bem como o recesso de julho. As atividades do parlamento canaense voltaram nessa quarta-feira (2) e a população compareceu à Câmara Municipal para acompanhar os vereadores. A 21ª Sessão Ordinária contou com a presença do prefeito Jeová Andrade e de alguns dos seus secretários de governo, como Roberto Andrade, Agnaldo Costa, Jurandir José, Alison Milhomen, Glaidston Paiva, André Wilson, Marcione Reis e Wescley Amorim, além do Procurador Hugo Leonardo. Outra participação especial na noite foi a colunista do Jornal In Foco e fundadora do projeto Encantos de Leitura, Maria Alice.


 
Após o discurso de Maria Alice, os vereadores iniciaram os trabalhos no segundo semestre. O primeiro a falar foi Baiano do Hospital (PHS). O legislador resgatou uma polêmica sobre a sua fala na última sessão do primeiro semestre a respeito dos médicos do município. Na ocasião, Baiano esclareceu a sua fala e afirmou que estará sempre reivindicando direitos das pessoas em Canaã. O vereador ainda disse a seguinte frase: “Não adianta fazer discurso bonito e não ver a situação das pessoas” se referindo aos problemas enfrentados na saúde pública da cidade.


 
João Batista (PT) usou o seu tempo de tribuna para fazer uma homenagem à menina Maria Alice: “Você é um orgulho para o nosso município. Eu arrepiei quando vi você no Fantástico.” O vereador disse que a Câmara pode apoiar o projeto Encantos de Leitura, pois é riquíssimo e traria muitos benefícios para a educação das crianças em Canaã.


 
Gesiel Ribeiro (PHS) também homenageou Maria Alice e disse que ela é o grande orgulho de Canaã dos Carajás. O legislador aproveitou o seu tempo de tribuna para falar sobre o desemprego na cidade e disse que é preciso procurar dirigir as vagas que surgirem para as pessoas de Canaã dos Carajás.


 
Os ânimos começaram a se exaltar quando a polêmica vereadora Vânia Mascarenhas (PDT) veio ao microfone para o seu pronunciamento: “Eu gosto de falar as coisas na cara e é bom que o prefeito esteja aqui para me ouvir” disse ela. Com um discurso inflamado, a legisladora fez um apanhado sobre os problemas sociais do município e confrontou o prefeito: “Eu sei que nem Deus pode fazer tudo, mas o senhor pode fazer a sua parte. O senhor tem recurso para isso”. Os ânimos se exaltaram no público e um cidadão interrompeu o discurso de Vânia para manifestar a sua revolta: “O que nós queremos é emprego e nada mais que isso!” falou. O homem foi aplaudido pelos presentes, porém alertado pelo presidente da casa Junior Garra (PR) que, de acordo com o regimento, os discursos dos vereadores não podem ser interrompidos pelo público.
 
Em entrevista, o homem que se chama Vando Mendes explicou a sua indignação: “Estou atualmente desempregado. Minha revolta é que tem vários pais de família sem renda e os vereadores e prefeito ficam aí... Nós não temos nem 20% dos empregados do projeto S11D que são daqui de Canaã. A maioria é de Parauapebas e o pai de família de Canaã passando fome. Pioneiros daqui estão indo embora. O prefeito não faz nada! É só tapinha nas costas. Nós queremos é emprego! Tem uma empresa que ganhou uma obra da 5ª linha de minério lá no S11D e o escritório dela está lá em Parauapebas empregando gente de lá. E aí?” disse ele visivelmente revoltado. Vando é Operador de Máquinas.
 
Na sequência, o vereador Wilson Leite (PDT) fez um discurso sobre mobilidade urbana e afirmou categoricamente: “Aquele radar instalado está ali para ganhar dinheiro.” Wilson Leite se referia aos radares eletrônicos recentemente instalados pela prefeitura e que dividiram opiniões em todo o município. O legislador ainda alertou o prefeito Jeová Andrade: “Às vezes os maus conselhos podem levar o senhor para uma má gestão”. Por fim, o vereador ainda disse querer uma Canaã melhor.


 
Já Élio do Líder (PMDB) foi econômico nas suas palavras e afirmou que a única coisa que o vereador pode fazer é reivindicar e ainda pediu que todos acreditem no governo.
 
Anderson Mendes (PTB) também aproveitou a presença do prefeito para fazer algumas cobranças. O petebista falou sobre a vital necessidade do distrito industrial no município e ainda clamou para que as secretarias de agricultura e desenvolvimento econômico tivessem mais investimento para que, assim, possam gerar emprego e renda no município. Anderson também se exaltou durante o discurso: “Eu não fui eleito para babar ninguém. Gostaria de perguntar ao prefeito o que o senhor tem contra a ACCIACA. Vamos fazer uma campanha com apoio da prefeitura para aquecer o comércio local. Comprar um carro, ou uma moto... Uma cidade que paga R$ 500 mil em um show, pode ajudar o comércio local” concluiu.


 
Dionísio Coutinho (PSC), líder do governo na Câmara, não deixou barato a fala de Anderson Mendes: “O show que o senhor está falando foi contratada pela FUNCEL, que é dirigida pelo seu irmão.” O vereador ainda afirmou: “Os erros que cometemos, caso tivermos cometido, não foram nessa intenção. A saúde nunca esteve tão bem, é só analisar os dados. E sobre a geração de emprego e renda, isso não é ofício principal do executivo! O principal é gerir o recurso público, zelar da coisa pública. Eu ainda acredito no governo.”


 
Após o vereador do PSC, Jeová Andrade usou o seu tempo de tribuna para rebater as falas de alguns vereadores:
 
Baiano do Hospital:
 
“Vereador, a saúde precisa melhorar sim, mas já tivemos avanços!”
 
Vânia Mascarenhas:
 
“O prefeito não possui recurso nenhum. Quem tem é o governo. Infelizmente, os recursos não dão para resolver tudo. O Brasil está parado! Quando há outras frentes de serviço, as pessoas migram para outras regiões, mas o problema é que não tem e os problemas se acumulam aqui.”


 
Wilson Leite:
 
“A mobilidade já avançou muito, mas ainda há o que avançar. O objetivo dos radares é diminuir os acidentes. Sobre o valor não tenho conhecimento e nem quero discutir isso, mas é o valor da locação e da manutenção.
 
Anderson Mendes
 
“A parceria com a prefeitura é brilhante! Vamos sentar e ver a legalidade disso. Tudo o que for bom para o comércio tem que ser analisado. Já sobre o show, o senhor está equivocado quanto ao valor, pois o valor não chega nem a 1/3 disso que o senhor falou. Fazer discursos raivosos é fácil, complicado é resolver os problemas de verdade.”
 
Nas explicações pessoais os vereadores puderam rebater a fala do prefeito e expor os seus pontos de vista. A vereadora Vânia Mascarenhas disse que a prefeitura deve gerar empregos e discordou do colega parlamentar Dionísio nesse ponto. “Vamos andar em outros municípios para ver como a prefeitura produz! O que falta é planejamento! O meu papel é cobrar e o senhor dá conta de cuidar do povo sim! A hora de deixar o seu legado é agora.
 
Já Anderson Mendes foi enfático: “Eu não indiquei o meu irmão e sou contra esse negócio de vereador controlar secretarias. Eu não tenho compromisso nenhum com o prefeito sobre secretarias. O meu irmão está lá na FUNCEL por mérito próprio e não por indicação!”
 
A sessão teve quase três horas de duração. Todos os vereadores compareceram, exceto Walter Diniz (PMDB). O vereador João Nunes (PMDB), apesar de estar presente na sessão, não usou a tribuna para se pronunciar, portanto não participou dos trabalhos parlamentares.
 
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