17/07/2017 às 19h32min - Atualizada em 17/07/2017 às 19h32min

Buracos entre Canaã e Parauapebas são marcas do descaso do Estado com a região

Os anos passam e a certeza que fica na PA 160 é a seguinte: a alcunha de “estrada da morte” continua a fazer todo o sentido

Kleysykennyson Carneiro - Jornal In Foco
Um buraco aqui, outro ali, um desvio acolá. Quem trafega pela PA 160, entre Canaã e Parauapebas, sabe bem da triste realidade da estrada. Apesar do movimento intenso de veículos, por ser a principal via que interliga dois grandes municípios produtores de minério, a sensação que fica ano após ano é de total abandono por parte do poder público, já que melhorias definitivas não são feitas e somente medidas paliativas são tomadas. Há menos de 1 ano, a empresária Eliane Mara, de 54 anos, perdeu a vida em um trágico acidente. A morte de Eliane aconteceu em uma curva quando ela perdeu o controle do veículo ao bater em um buraco.
 
Este caso foi um dos mais emblemáticos em 2016. E o mês em que estamos, pelo aumento de fluxo na estrada, a taxa de acidentes atinge índices alarmantes. É evidente que fatores como a imprudência também colaboram para os números, mas os buracos e a má sinalização da via são as principais causas que rendem o apelido nada feliz de “estrada da morte”. O excesso de curvas e ladeiras também influencia bastante para os trágicos acidentes na rodovia. Nossa equipe conseguiu fotografar tristes imagens dos buracos que se acumulam ao longo da estrada. Enquanto trabalhávamos, vários motoristas aplaudiram a reportagem por mostrar a realidade da região. Quando existe a descrença no poder público, a população ainda parece acreditar que o poder da informação que a imprensa possui pode interceder por ela.
 
“Passo aqui por essa estrada quase todo dia, a trabalho, e sei do perigo que é esse ‘zig zag’ que a gente é obrigado a fazer” disse o senhor Pedro Oliveira, de 61 anos, motorista que possui a árdua missão de transitar pela via com bastante frequência e que parou para conversar com a nossa equipe sobre o assunto. “Tenho quase 40 anos de profissão e, apesar de toda a experiência, tenho muito medo de passar por aqui. Muitos acidentes acontecem, a gente ouve falar e dá medo. Não tem jeito. Acho que o poder público deveria tomar providências quanto a isso. Vão deixar morrer quantas pessoas para tomarem providências?” desabafou.
 
Grande usuária da estrada, a Vale possui cerca de 16 ônibus indo e vindo entre Canaã e Parauapebas todos os dias, durante todo o ano. Isso sem falar nas carretas carregadas com minério que também fazem o trajeto. Será que a Vale, por levar tanto de Canaã e Parauapebas embora, também não possui culpa no cartório?
 
Quem também paga um alto preço pelas péssimas condições da via são os condutores de ônibus e vans. Usuários assíduos da movimentada via, os motoristas precisam enfrentar diariamente a dura realidade da região. A cada viagem, a incerteza da chegada e a cada curva, a persistência da dúvida se há ou não uma nova cratera que exigirá uma rápida reação ao volante. A viagem pela estrada da morte é cercada de medo.
 
Os anos passam e os remendos mal feitos nunca duram muito tempo. Os acidentes com vítimas fatais continuam acontecendo e são ignorados. Em uma das regiões mais ricas do Pará, os impostos precisam ser revertidos em qualidade no ir e vir da população. O apelo que fica sempre é por melhorias. Até quando a PA 160 será chamada, com razão, de estrada da morte? A pergunta do seu Pedro Oliveira faz cada vez mais sentido: “Vão deixar morrer quantas pessoas mais para que providências definitivas sejam tomadas?”
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