O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se nesta quinta-feira (7), em Washington, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em encontro marcado por discussões sobre comércio bilateral, segurança pública, tarifas econômicas e cooperação estratégica entre os dois países.
A reunião ocorreu na Casa Branca e durou cerca de três horas, com participação de ministros e representantes dos governos brasileiro e norte-americano. Segundo autoridades dos dois países, o encontro buscou reduzir tensões diplomáticas acumuladas desde 2025 e abrir novas frentes de negociação econômica e de segurança.
Após o encontro, Trump classificou a conversa como “muito produtiva” e afirmou, em publicação nas redes sociais, que os dois governos continuarão realizando reuniões para tratar de temas considerados prioritários. O presidente norte-americano também descreveu Lula como um líder “muito dinâmico”.
Já Lula afirmou ter ficado satisfeito com o diálogo e informou que os países deverão criar grupos de trabalho voltados para comércio, combate ao crime organizado e cooperação em minerais estratégicos. Segundo o presidente brasileiro, temas considerados sensíveis nas relações bilaterais passaram a ser discutidos diretamente entre os governos.
Entre os principais assuntos discutidos estiveram as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, especialmente aço e alumínio, além de mecanismos de combate ao tráfico internacional de armas e drogas. As negociações também envolveram o interesse norte-americano em minerais críticos e terras raras existentes no território brasileiro.
A visita ocorreu após meses de desgaste diplomático entre Brasília e Washington. Desde 2025, os governos enfrentavam divergências relacionadas à política tarifária adotada por Trump e às críticas feitas por setores do governo norte-americano sobre decisões do Judiciário brasileiro envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No mês passado, os dois países anunciaram um acordo de cooperação para compartilhamento de informações sobre apreensões ligadas ao tráfico internacional de armas e drogas, iniciativa considerada uma das bases da reaproximação diplomática.
Participaram da comitiva brasileira os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores; Wellington César, da Justiça e Segurança Pública; Dario Durigan, da Fazenda; Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Alexandre Silveira, de Minas e Energia; além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Apesar do tom conciliador adotado durante a reunião, temas considerados sensíveis seguem em negociação, entre eles a política tarifária norte-americana e as investigações comerciais abertas pelos Estados Unidos contra setores da economia brasileira.
O encontro entre Lula e Trump foi acompanhado com atenção por setores políticos e econômicos dos dois países e é considerado um dos movimentos diplomáticos mais relevantes das relações Brasil-Estados Unidos desde o início do novo mandato do presidente norte-americano.