07/08/2018 às 10h29min - Atualizada em 07/08/2018 às 10h29min

O que Bob Burnquist, Gabriel Medina e Almir Júnior têm em comum?

Skate, surfe e atletismo, todos esportes olímpicos em Tóquio 2020, têm uma peculiaridade que une três esportistas brasileiros de destaque mundial. Saiba qual é

Marcel Merguizo, Porto Alegre - Jornal In Foco
globoesporte.globo.com
Reuters/John Sibley
Com as chegadas do surfe e do skate no programa de Tóquio 2020, grandes nomes destas modalidades agora farão parte do mundo olímpico. Bob Burnquist e Gabriel Medina, por exemplo, têm grandes chances de estar na próxima Olimpíada. Um como presidente da Confederação Brasileira de Skate e o outro como atleta nas ondas japonesas.
 

Bob Burnquist faz manobra no Mundial de skate bowl  (Foto: Divulgação / AGIF)

Medina sempre se declarou ídolo e, depois, virou amigo de Bob. E há várias semelhanças entre eles. O que os campeões mundiais não devem saber é que no atletismo há um outro brasileiro com ao menos uma característica em comum com os compatriotas radicais. E ele tem grandes chances de brilhar em Tóquio 2020 também. É Almir Júnior, 25 anos, do salto triplo.

 
 Gabriel Medina surfa em Pipeline (Foto: Divulgação/WSL)
 
Tá, mas o que Bob, Medina e Almir têm em comum? Além, claro, da chance de ir ao Japão daqui a dois anos... Almir faz o salto com sua “base trocada”. Algo que consagrou Bob e deu notoriedade também à Medina: fazer as manobras ao contrário do comum. No surfe ou no skate, cada competidor costuma ter uma base fixa: goofy, com o pé direito à frente, ou regular, pé esquerdo à frente. Já no salto...
 
 
Senta que lá vem história: Almir é destro e faz o último salto do triplo com o pé esquerdo. Ou seja, os dois primeiros com o direito. E daí! E daí? Para Almir, é como se, destro, escrevesse segurando a caneta com a mão esquerda. Foram mais de dez anos “escrevendo com a mão direita”, quando ainda era atleta do salto em altura. Mas depois de assistir aos Jogos Olímpicos de 2016 pela TV, tudo mudou. Ele mudou de prova. E mudou a perna forte do salto. Almir foi se arriscar no salto triplo. Deu certo. Mas teve que “escrever” com a mão trocada. Inverteu a lógica, como Bob e Medina. E hoje ele está entre os melhores triplistas do mundo.
 
Quer entender melhor? Quem explica a mudança é o técnico José Haroldo Loureiro Gomes, o Arataca, treinador de Almir desde a adolescência.
 
- Almir é destro, mas a escolha do salto tem um fator diferencial que é a habilidade com a perna, que é encontrar a perna forte. Almir tem a maior habilidade e era mais forte com a perna esquerda, por isso a escolha pela perna esquerda para o salto em altura e assim foi por quase dez anos. Mesmo quando não treinava e se arriscava no salto triplo e distância, era sempre com a esquerda. No triplo, a perna chamada de “boa” se saltam os dois primeiros saltos. E a perna ruim, o último salto – explica Arataca.
 
O treinador da Sogipa, em Porto Alegre, lembrou de todo o desgaste que os anos de treino no salto em altura tinha ocasionado em Almir. Aí decidiu inverter a lógica.
 
- A perna esquerda, mesmo boa, estava sobrecarregada por 10 anos. Foi então que o convenci a trocar de perna. No início não se convenceu pois tinha muita segurança na esquerda. Mas a infraestrutura que a Sogipa oferece, com ginásio de ginástica artística, nos deu a ideia: lá tem um tipo de cama elástica, cumprida, 30 metros. Era o lugar ideal para o Almir ganhar em habilidade com a perna direita, sem ter o impacto da perna no chão. Por dia poderia fazer no máximo 13 a 15 saltos. Já na ginástica fazia mais de 90 diários. Fizemos tanto que hoje ele acredita muito mais na perna direita. O efeito colateral é que acabou herdando um bom terceiro salto. O grade problema da mudança era a habilidade e a confiança que o Almir já havia desenvolvido com a perna esquerda, por esse motivo hoje o Almir tem no “jump” (terceiro salto) um dos melhores do mundo – conclui Arataca.
 
Resposta à pergunta do título: Bob revolucionou o skate ao fazer tudo de base trocada; Medina gosta de surfar de base trocada ou quando já ganhou a bateria ou quando quer se divertir; e, agora, sabemos que Almir precisou treinar e desenvolver uma técnica para também saltar com sua base trocada. Tudo invertido. Para dar certo!
 

Almir Júnior salta durante treino na Sogipa, em Porto Alegre  (Foto: Marcel Merguizo )
 
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