02/08/2018 às 08h43min - Atualizada em 02/08/2018 às 08h43min

Indígenas Xikrin protestam contra a mineradora vale.

No final desta tarde quarta-feira (01) que dá acesso ao Núcleo Urbano de Carajás ficou interditada por alguns momentos pelos índios Xikrin.

- Jornal In Foco
Francesco
Pebinha de Açucar
O motivo do protesto é que, atividade mineral da empresa pode ter contaminado o Rio Cateté, principal curso d’água das aldeias, além de cobrarem diversas outras nações da mineradora.

Etnia do sudeste do Pará processa mineradora por retirada de cobre em área de uso tradicional, corte irregular de castanheiras e poluição de rios que servem aldeias.



De acordo com o índio Roiri Xikrin, além do desconforto de morar em uma área onde não se tem liberdade, por causa das restrições na região de mineração, a mineradora teria cortado benefícios antes pagos aos indígenas como condicionantes para praticar a atividade no local, entre eles, compensação financeira mensal por família, melhorias na Casa de Apoio e atendimento em saúde.

Ainda conforme o indígena, a empresa estaria ameaçando também cortar atendimento hospitalar. “Por causa destas e outras coisas, o cacique Tunire nos autorizou a fazer esta manifestação como demonstração de nosso descontentamento, para que chegue até Brasília e nossas petições sejam atendidas”, afirmou Roiri, dizendo que, se a mineradora não atender às reivindicações, terão que descer todos os trabalhadores na mineração e eles apenas, como legítimos donos da terra, ficarão nela.
 
Roiri informou ainda que o cacique irá a Brasília nos próximos dias e, caso não sejam atendidos, irão bloquear o ramal ferroviário, impedindo o escoamento do minério explorado na mina S11D, situada no município de Canaã dos Carajás, até que a situação deles seja normalizada.
 
Índios de aldeias situadas em outros municípios, entre eles, São Félix do Xingu, também estariam elaborando protestos como, por exemplo, a ocupação da prefeitura municipal.


 
Ato pacífico – O ato iniciado por volta das 17 horas desta quarta-feira (1º) contou com a participação de guerreiros e guerreiras da aldeia Xikrin do Cateté, que dançaram e deram seu recado através da imprensa, que registrou o protesto feito na portaria de acesso à Floresta Nacional de Carajás (Flonaca), em Parauapebas.

No local onde termina a Rodovia PA 275, e se inicia a Estrada Raymundo Mascarenhas, o tráfego de veículo foi paralisado nos dois sentidos, o que fez com que grande número de pessoas assistisse o ato.

As mulheres com facão e os homens com bordunas e flechas dançaram e, no final, atearam fogo em uma camisa usada como uniforme pelos trabalhadores na mineradora Vale.
De acordo ainda com Roiri, o ato representa repúdio à mineradora, que estaria se beneficiando das terras onde seus antepassados viveram e agora lhe é, praticamente, tiradas a troco de quase nada.



Após cerca de uma hora e meia de protesto, as vias foram liberadas e os indígenas voltaram às suas aldeias, sem provocar dano algum ao patrimônio da mineradora.

Nota da Vale – Em nota, a Vale confirmou o protesto dos índios e afirmou que a empresa respeita a livre manifestação, mas repudia qualquer ato que comprometa o direito soberano e constitucional de ir e vir, inerente a todos os cidadãos, e ressalta que o comprometimento deste direito pode acarretar sanções legais a quem o desrespeita.

A portaria foi liberada às 17h25 desta quarta-feira.
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