21/06/2018 às 15h41min - Atualizada em 21/06/2018 às 15h41min

​Associação Comercial de Itaituba repudia fechamento da Agência da RF

Irma Barasuol, que tomou posse ontem no cargo de presidente da Aseii, diz que só pode ser “uma brincadeira porque deve ter alguma coisa errada”. A notícia foi dada em primeira mão ontem pelo Blog

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“Eu estou levando isso como uma brincadeira, porque deve ter alguma coisa errada. Eu não estou entendendo qual a desculpa para tirar as agências da Receita Federal dos municípios. Não consigo entender”. O desabafo, feito ao correspondente do Blog na manhã desta quinta-feira (21), é da presidente da Associação Empresarial e Industrial de Itaituba (Aseii), empresária Irma Santina de Marco Barasuol, ao falar a respeito do fechamento da Agência da Receita Federal naquele município do oeste do Estado, anunciada na terça-feira (19), assim como outras 57 cidades.

Irma Barasuol, que assumiu o cargo na noite de ontem, quarta-feira (20), já segurando a primeira batata quente, disse que soube da notícia um dia antes e, imediatamente, reuniu representantes dos 120 escritórios de contabilidade da cidade, direção do Sindicato dos Lojistas, Câmara de Dirigentes Lojistas e outras pessoas interessadas no assunto para expor a grave situação.

Da reunião saíram vários ofícios, com detalhada exposição de motivos, solicitando que a agência de Itaituba não fosse fechada, endereçados à Superintendência da RF no Pará e à Secretaria da Receita Federal, em Brasília (DF), e também a senadores e deputados federais da bancada paraense no Congresso Nacional.

Caso isso venha a acontecer, Irma Barasuol prevê que, além das empresas e outros contribuintes de Itaituba, a população de pelo menos cinco municípios da região ficará muito prejudicada, inclusive a de Novo Progresso, onde há uma pequena Agência da RF, também com previsão de fechamento.

Se a promessa da RF vier mesmo a se concretizar em julho próximo, a cidade mais próxima é Santarém, a 300 quilômetros de Itaituba: “Veja bem o caso de Jacareacanga, que fica a 460 quilômetros daqui, somando com os 300 para Santarém, a pessoa vai ter de viajar 760 quilômetros para resolver qualquer assunto ligado à Receita Federal”, exemplifica a presidente da Aseii, mais uma vez lamentando o fato.

Ela salienta que, Novo Progresso, por exemplo, tem grande movimentação financeira gerada pela atividade mineradora, assim como Itatituba, que extrai mensalmente cerca de uma tonelada de ouro, movimentando – pela cotação de hoje – nada menos de R$ 159,5 milhões.

“Então, para todos os procedimentos que são feitos na Receita Federal, nós teremos de ir a Santarém. Até mesmo para verificar um simples problema no CPF, para dizer o mínimo”, alerta Irma Barasuol, citando também a emissão de DARF e ITR, entre outras guias.

Irma destaca que em Itaituba também há muitos produtores de gado, inclusive um grande número de pequenos criadores que tinham o acesso fácil à RF aqui e agora vão ter de se deslocar para Santarém: “São distâncias enormes, as estradas são péssimas, intrafegáveis, na época do inverno só têm atoleiros; ou as pessoas terão de ir de barco”.

Fora isso ainda há, segundo a presidente da Aseii, o fato de a pessoa chegar a Santarém e correr o risco de não ser atendida no mesmo dia, porque a demanda vai aumentar consideravelmente, e acabar gastando com hotel e alimentação. “Vai ser um transtorno enorme”, observa.

Irma Barasuol espera que os políticos paraenses em Brasília possam reverter esse quadro, lembra que a Agência da RF de Itaituba foi inaugurada em 1975, tem 43 anos, portanto: “Então, é um retrocesso enorme. A gente vive no Século 21, onde a tendência é descentralizar a tomada das decisões, mas, com essa ação, você está centralizando tudo em poucos locais”.

Ela acredita que em Brasília, algumas autoridades não conhecem a realidade do Pará, um Estado de dimensões continentais. “Eu creio que é isso o que está acontecendo, eles pegam os nomes dos municípios e não conhecem a realidade”, reforça.

A presidente da Aseii conta que o imóvel que a Receita ocupa em Itatituba pertence à União, portanto, não há despesa com aluguel. Diz ainda que havia três servidores até o final do ano passado, o que fez com que o quadro fosse reforçado com mais dois, uma vez que a demanda pelos serviços é muito grande.

“Então, eu não entendo, quando falam tanto da falta de recursos, que um órgão de receita, que também arrecada para o governo, venha a ser fechado. E, quanto mais próximo da população mais serviços vai prestar. Diferentemente de alguns setores do governo, que realmente só geram despesas sem função alguma e que poderiam muito bem ser extintos”, concluiu Irma Barasuol, indignada.

Receita silencia sobre o fechamento das agências

Por telefone e pelo e-mail, o Blog contatou com a Assessoria de Comunicação da Secretaria da Receita Federal, em Brasília, questionando sobre os critérios para o fechamento as agências; de quanto será a economia caso venham mesmo a ser extintas; como as cidades prejudicadas serão assistidas; e qual o destino dos servidores. A resposta, enviada no início desta tarde, foi sucinta: “A Receita não vai comentar o assunto”.
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