19/10/2022 às 13h33min - Atualizada em 19/10/2022 às 13h33min

Altas nacionais fazem cesta básica aumentar 12% no Pará

Segundo o Dieese, a variação se refere ao primeiros 7 meses deste ano. Alimentação custa metade do salário

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Pela primeira vez este ano, o custo da cesta básica de Belém apresentou queda, ainda que pequena, no mês de setembro. No último mês, a alimentação custou, em média, R$ 622,46, 2% menor que o valor registrado em agosto, de R$ 634,85. Mesmo assim, as compras ainda comprometem mais da metade do atual salário mínimo de R$ 1.212,00, segundo dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, efetuada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese/Pará).

As pesquisas mostram que, no mês passado, a maioria dos produtos apresentaram recuos de preços, com destaque para o tomate, que ficou 11,61% mais barato; seguido do óleo de soja, com queda de 6,89. O feijão caiu 5,40% e o leite 1,56%. Por outro lado, outros produtos tiveram aumento de preços. A farinha de mandioca ficou 3,29% mais cara, seguida do açúcar, que pesou 3,14% a mais no bolso, e a banana com alta de 2,03%.

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Nos nove primeiros meses desse ano, o custo da cesta acumula 12% de variação de alta, percentual superior à inflação estimada em torno de 4% para o mesmo período. Nos últimos 12 meses, a variável também é para cima, custando 17% contra uma inflação estimada em torno de 9% do ano.

O técnico e pesquisador do Dieese, Everson Costa, explica que o paraense depende de produtos que vêm de outros estados. “Esse grau de dependência e de demanda ainda é um grande formador de preços, por conta do frete caro e a entressafra desses produtos sazonais. Mesmo produzindo alguns produtos, os preços ainda são elevados, como a farinha, o açaí e a carne bovina”, pontua. “Esses produtos estão voltados para a importação, produzindo para quem paga mais, não beneficiando a população local”. O custo da cesta básica para uma família padrão paraense, composta de dois adultos e duas crianças, ficou em R$ 1.867,38, sendo necessários, portanto aproximadamente 1,54 do salário mínimo para garantir o necessário somente com alimentação.

CONSUMIDORES

Jossilbene Souza, 40 anos, autônoma, conta que gasta muito mais com supermercado ultimamente. “Mora eu e meu marido, continuamos fazendo nosso supermercado normal, mas percebo que hoje em dia gasto muito mais com supermercado do que antes, preciso ter em média de R$ 800,00 a R$ 1 mil para fazer as compras. Tenho gastado mais tempo também no supermercado, buscando produtos mais acessíveis e de qualidade”, relata.

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 Ana Cavalcante diz que gasta, hoje, o dobro do que costumava gastar em outros anos | Wagner Santana

Ana Cavalcante, 65 anos, técnica de enfermagem, mora com quatro pessoas em casa. Ela conta que percebeu produtos, como o leite, mais caros. “Os alimentos continuam muito caros, eu procuro pesquisar bastante antes de vir as compras do mês. As proteínas também estão muito caras, até o frango subiu de preço. Hoje em dia a gente gasta o dobro com supermercado, ainda reduzindo para não faltar na alimentação”, disse.


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