15/10/2022 às 11h50min - Atualizada em 15/10/2022 às 11h50min

Preços altos afetam até a hora de tomar banho

Levantamento feito pela Kantar mostra que milhões de brasileiros foram obrigados a reduzir a compra de produtos de higiene e limpeza

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Por conta da elevação da inflação no país, milhões de brasileiros reduziram drasticamente a compra de produtos de higiene e limpeza por causa da disparada dos preços nas gôndolas dos supermercados. De acordo com a pesquisa da consultoria Kantar, aumentou em 9% o número de banhos sem uso de produtos básicos - sabonete e xampu - no segundo trimestre deste ano no Brasil.

A Kantar chegou a este resultado após monitorar diariamente, por meio de painéis de consumo específicos, o comportamento de 4 mil pessoas, entre 11 a 74 anos, que tomam dois banhos por dia, quase 70% da população. Os hábitos de higiene desse grupo representam um universo de 115 milhões de brasileiros, pouco mais da metade da população do país.

Ronny Alves, de 45 anos, lembrou que há dois anos usava uma marca específica de sabonete que custava pouco mais de R$2 a unidade. Em 2022, o mesmo produto passou a ser vendido a R$3,35 cada um, ou seja, uma alta de 67,5% no preço final. “Em casa moram quatro pessoas e todos os meses eu preciso comprar 15 unidades de sabonete em pedra”, afirmou o autônomo.

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Dos dois últimos anos para os dias atuais, Ronny está gastando R$20,25 a mais com a compra de sabonete. “Desde que a economia em nosso país começou a desandar, manter a mesma quantidade de produtos no carrinho do supermercado se tornou um desafio. Nos resta apenas pesquisar, visitar outros estabelecimentos para que possamos continuar tomando banho com dignidade”, enfatizou.

Apesar da comida ser o foco das pressões inflacionárias, ao observar os dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com base na previsão da inflação oficial do país, os preços dos produtos de higiene pessoal registram altas equivalentes aos dos alimentos. Nos últimos 12 meses, o valor do sabonete subiu 27,97%, enquanto alta do óleo de soja, por exemplo, foi de 27,52%

Planejamento

Em detalhes, desde que a pesquisa iniciou no segundo trimestre de 2018, o pico dos que passaram a tomar banho sem sabonete foi atingido no segundo trimestre de 2021, com um avanço de 28% ante o mesmo período de 2018. Uma das principais justificativas para este aumento entre os dois anos, segundo a Kantar, foi por causa da pandemia.

O levantamento identificou ainda que os banhos apenas com água ocorreram entre indivíduos das classes D e E, no qual a renda média individual é de R$791,63, equivalente a 65% do salário mínimo. O sudeste foi a principal alavanca desse crescimento: 54% dos indivíduos, dos quais, mais da metade (53%), são mães que trabalham fora, com filhos de até 15 anos, em lares com 4 ou mais pessoas.

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Mesmo diante das altas, a engenheira florestal, Joana Ribeiro, de 60 anos, relatou que continua comprando a mesma quantidade. “Moramos em um estado em que as temperaturas estão quase sempre elevadas. Então precisamos tomar um banho decente. Aí vamos pesquisando, analisando preço e marca. A fabricante que oferecer um valor interessante eu compro”, detalhou.

A técnica em enfermagem, Maria do Carmo, 56, não chegou a cortar o sabonete, mas está racionalizando o uso nos dois banhos diários. “Adotei uma sequência e economizo cerca de 50% do sabonete: primeiro eu me molho, depois fecho a torneira do chuveiro, em seguida ensaboo o meu corpo e por fim tiro o sabão. Usar sabonete debaixo da água corrente gasta muito mais”, explicou.

Mas não é só com sabonete que o banho fica completo: na hora de lavar o cabelo, o consumidor vem simplificando e optando por usar menos produtos para higienizar o couro cabeludo. O destaque é para o xampu, que teve uma queda no volume de vendas em 4% entre o 1º e 2º trimestres deste ano, mas um aumento no uso do item em 2%. A explicação é que as pessoas passaram a render mais este item na hora da lavagem dos fios.


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