23/01/2018 às 01h15min - Atualizada em 23/01/2018 às 01h15min

“Os PM’s usaram o Ministério Público para me destruir” afirma delegado Bruno, que continua preso por tempo indeterminado

Delegado é ouvido por quase três horas e faz alguns desabafos em sua fala. Caso ainda não tem sentença final

- Jornal In Foco
Fotos: Reprodução
O inferno astral do delegado Bruno Fernandes e dos investigadores Cláudio Nascimento e Sérgio Lago continuará ainda por tempo indeterminado. Os três passaram pela última audiência de instrução de julgamento do caso em que são réus durante toda a segunda-feira (22). Na ocasião, as testemunhas de defesa foram ouvidas e passaram pela sabatinada de perguntas feitas pela acusação e também pelos advogados.
 
Já na parte da tarde, foi a vez do delegado e dos investigadores falarem sobre o caso pela primeira vez. Bruno foi o primeiro e respondeu às perguntas feitas pelo juiz, pelo Ministério Público e também pelos próprios defensores. Por quase três horas, o delegado mostrou completa indignação com as acusações feitas contra sua pessoa e negou cada uma delas. O ex-candidato ao cargo de vereador é acusado dos crimes de ocultação de bens, associação criminosa, peculato e corrupção passiva.
 
De acordo com a fala de Bruno, todo o processo é, na verdade, fruto de uma revolta da Polícia Militar contra ele. Segundo o delegado, a raiva acumulada pela PM começou após uma postagem feita no Facebook em que ele critica uma ação dos colegas da lei: “Depois da postagem, os policiais nem me cumprimentavam mais na delegacia. Eles passaram a me odiar e me perseguir. Eu indiciei alguns PM’s por abuso de autoridade e talvez isso também tenha contribuído para a raiva. Um deles, vocês viram no depoimento em dezembro, falou de mim com ódio. Os PM’s usaram o Ministério Público para me destruir!”
 
Perguntado, o delegado falou sobre a questão das motocicletas: “Nunca chegou ao meu conhecimento qualquer irregularidade envolvendo esses veículos. Os PM’s estão mentindo! Eles nunca apreenderam mais de uma vez a mesma moto. Nenhum dos outros delegados percebeu qualquer coisa, mas só quem está levando a culpa por tudo sou eu.”
 
Logo depois da fala de Bruno, foi a vez de Cláudio Nascimento falar. O MP questionou o investigador sobre alguns processos já enfrentados por ele durante os anos de policial civil: “Nada disso foi provado contra mim.” Ainda na sabatina de perguntas, Cláudio foi questionado sobre as denúncias de que motocicletas eram vendidas por R$ 500,00 do pátio da Delegacia de Polícia: “Nunca aconteceu nada disso. Quem fez essa afirmação foi um PM que está me perseguindo.” Ao final do depoimento de quase uma hora, Cláudio não conseguiu conter as lágrimas: “Ninguém sabe o que estamos passando.” Já o investigador Sérgio, falou por poucos minutos e negou também qualquer envolvimento com os crimes em questão.


 
Depois de quase dez horas de audiência, o juiz decidiu que os réus devem continuar presos, mesmo após pedido de liberdade feito pela defesa, até que novas provas solicitadas sejam apresentadas e apuradas. Depois disso, o juiz deverá decidir se os três serão condenados ou absolvidos por cada acusação.
 
Em entrevista, o promotor de justiça, Rui Barbosa, disse acreditar que há provas para a condenação dos três: “O Ministério Público entende que há provas suficientes para a condenação de quase todos os réus. A defesa, naturalmente, pode ter outros entendimentos, mas acho que conseguimos comprovar as acusações de quase todos os réus que foram denunciados.”
 
O advogado de defesa Francelino Neto discordou: “O processo não terminou, não há sentença e nem perspectiva de quando teremos. A defesa está sendo cautelosa e está tentando mostrar que não há nada de concreto. Todas as testemunhas de acusação foram contraditórias em seus depoimentos. Vamos analisar a decisão e ver qual é o melhor caminho a ser tomado.”
 
Os três réus seguiram ainda na noite desta segunda-feira para Belém, onde devem permanecer presos até que a decisão da justiça seja tomada.
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